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Eliane Giardini comenta papel de racista Nádia em ‘O outro lado do paraíso’

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   Eliane Giardini comenta papel de racista Nádia em ‘O outro lado do paraíso’
Eliane Giardini comenta papel de racista Nádia em ‘O outro lado do paraíso’
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RIO - Eliane Giardini não sabia o que esperar do público de “O outro lado do paraíso”, que hoje ama odiar a racista Nádia, uma mulher “tosca”, nas palavras da própria atriz.

— Ninguém aprova o fato de a personagem ser racista. Odeiam a Nádia por isso, mas, por outro lado, as pessoas têm certa simpatia por ela. O público gostava da relação dela com o marido, por exemplo — conta a atriz, de 65 anos.

Durante boa parte da novela, Nádia e o marido, o juiz Gustavo (Luis Melo), realizaram as mais variadas fantasias sexuais em sequências de apelo cômico. Recentemente, a dondoca descobriu que era traída pelo marido e que ele é sócio de um bordel. Ela deu o troco e agarrou o funcionário fortão do seu salão de beleza na frente do ex. Foram cenas de grande repercussão na web, com direito a memes postados nas redes.

Nos próximos capítulos, a personagem será surpreendida pela chegada de um neto negro. Na história, será explicado que Nádia e Gustavo também são netos de negros. Será o começo de sua redenção.

Vista ainda na reprise de “Explode coração” (1995), no Viva, Eliane não costuma ficar afastada da TV por longos períodos. Somente nos últimos anos, interpretou a bondosa Anastácia, da novela “Êta mundo bom!” (2016), e a trágica matriarca Zana, da minissérie “Dois irmãos” (2017). Após o fim de “O outro lado do paraíso”, em maio, quer descansar, mas planeja sua volta ao teatro, em agosto, com “A peça do casamento”, dirigida por Guilherme Weber. A seguir, a atriz fala sobre as polêmicas de Nádia, entre outros assuntos.

Qual a parte mais difícil de interpretar uma mulher preconceituosa e que fala as piores barbaridades?

A moralidade ética da Nádia está em último plano. Ela tem aquele pensamento mais bestial, sem nenhum filtro civilizatório. A personagem faz parte de uma classe de pessoas ricas e arrogantes e vive nessa bolha da sociedade do Tocantins. Ela fala coisas absurdas, terríveis. Como atriz, treino a empatia todo o tempo, luto contra preconceitos. Mas justamente por ser atriz também preciso engolir aquelas palavras da Nádia e trazer de volta à boca com propriedade.

Considera Nádia uma vilã?

Ela não é vilã. É uma pessoa ignorante e tosca. Acho que ela é passível de ser educada. Mas para isso terá ainda que levar muita porrada da vida.

Ao mesmo tempo em que é preconceituosa, a personagem tem um lado cômico e parece ter conquistado a simpatia do público...

A gente sofreu muito para fazer a primeira fase da novela, que era mais realista. A cena em que a Nádia expulsava a Raquel (Erika Januza) de casa foi horrível. Era muito difícil olhar para a cara da Erika e dizer aquelas coisas, mesmo na ficção. De certa forma, eu estava ali ressoando frases que ela deve ter ouvido em algum momento da vida. Nádia falou tantos absurdos que chegou a ser surreal. Já na segunda fase, a personagem ficou mais cômica. Se tivesse se mantido mais realista até agora teria sido mais difícil.

Alguns críticos dizem que as falas preconceituosas de Nádia ajudam a reforçar o racismo em vez de denunciar a questão. O que pensa disso?

O racismo é algo muito grave e qualquer forma de discussão é bem-vinda. Tivemos essa truculência que foi a execução da vereadora Marielle Franco. Calaram a boca, de forma muito covarde, com tiros na cabeça, dessa mulher que lutava pelas questões negras e femininas. O racismo é um problema mundial, vivemos um retrocesso assustador em vários níveis. O texto da novela não segue uma linha sutil ou velada, mas o vejo como uma provocação. A trama mete o pé na porta. Mas em toda as cenas em que a Nádia demonstra seu preconceito há outro personagem pontuando isso, criticando, dizendo que ela é racista. A novela oferece todos os dias reflexões importantes.

Algum telespectador racista a favor da Nádia já veio se manifestar para você?

Não. Eu não saberia nem como agir num caso desse.

Qual o maior retorno que recebe do público?

As pessoas gostavam muito da relação dela com o Gustavo. Uma mulher veio me falar que o marido adorou quando ela se fantasiou de enfermeira após ver a novela. Nádia é uma mulher madura, que tinha um casamento longo e uma questão sexual muito forte. É uma falsa puritana, mas não é uma belle de jour. O que fazia era apenas com o marido, não havia transgressão nisso.

Nesta semana, após uma passagem de tempo, Odair (Felipe Titto), o funcionário com quem Nádia se envolveu, irá se mudar para a casa dela. Como será a relação dos dois?

Começou como vingança. Nádia fala com a maior clareza: quer mostrar para o mundo que tem um rapaz bonito e gostoso com ela. Não se trata de afeto. Ele vai morar na casa dela, mas os dois não se envolvem numa relação. Nádia ainda ama o Gustavo. E terá que elaborar e superar muita coisa.

O que acha da redenção da Nádia após o nascimento do neto negro?

No começo, ela rejeitará o neto. Mas entende que é o sangue dela. Gostei dessa saída de explicar a ascendência da personagem. Ela acaba se confrontando com a própria questão. Mais adiante, vai pedir desculpas pelas agressões que fez a Raquel.

Você esteve em mais de dez trabalhos na TV nos últimos dez anos. O que a faz aceitar tantos trabalhos?

Sou muito ruim de dizer não e não consigo ficar muito tempo parada, gosto de trabalhar. Depois de novela descanso por dois meses e começo a ensaiar a peça.

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