Não são apenas os nomes que impressionam. É todo um trabalho cinematográfico digno de nota, mas que talvez tenha saído em época errada, e por isso foi um tanto esquecido pelos cinéfilos. Bom que a Lume tenha lançado o DVD, um épico de quase três horas de duração - 2h50 para ser preciso.
A época talvez "errada" diz respeito a um cinema francês tradicional do qual fazia parte Clément, então sob forte contestação da nouvelle vague. Essa outra guerra - a dos críticos e cineastas - já estava então perdida para os "jovens turcos" dos Cahiers du Cinéma, que haviam imposto um gosto. Talvez não ao público, mas à própria intelligentsia francesa e decerto mundial.
A própria participação da Resistência Francesa na liberação de Paris, então contestada, é heroicizada sob os olhos de Clément. O que pode ter parecido pouco realista para o olhar crítico dos anos 1960, mais interessado em enxergar a fragilidade francesa diante do inimigo alemão durante a guerra que fazer o balanço dos heróis que de fato haviam resistido. Isso era coisa para um pouco depois, quando a lembrança do morticínio de 1939-1945 já pudesse ser visto à distância.
PARIS ESTÁ EM CHAMAS - Direção: René Clément (França/1966). Distribuição: Lume Filmes (R$ 49,90)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

