Por Oliver Griffin
RIBEIRÃO PRETO, Brasil, 11 Mar (Reuters) - A Agrion Fertilizantes do Brasil tem como meta a produção de meio milhão de toneladas métricas de fertilizantes feitos a partir de resíduos de cana-de-açúcar até 2031, o que ajudaria o país a compensar a exposição a riscos geopolíticos, disse o fundador e presidente-executivo Ernani Judice na quarta-feira.
O Brasil, um gigante agrícola, é o maior produtor de açúcar do mundo e cultiva centenas de milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. Ao mesmo tempo, importa a esmagadora maioria dos fertilizantes que utiliza, expondo seu setor agrícola ao fluxo e refluxo das tensões globais.
Os ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã nas últimas semanas elevaram os preços do petróleo e de outras commodities, o que deixou em evidência a dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes.
O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes que utiliza a cada ano, de acordo com a agência de pesquisa do país, a Embrapa.
Além disso, estima-se que 41% de suas importações de ureia, um componente importante em alguns fertilizantes, passaram pelo Estreito de Ormuz antes de chegar ao Brasil em 2025, de acordo com dados da consultoria Agrinvest.
"O Brasil importa 20% de seus fertilizantes de países sempre com questões geopolíticas", disse Judice durante uma apresentação em um evento do setor realizado pela consultoria Datagro em Ribeirão Preto (SP).
"Agora, tem a questão com o Irã, séria, mas todo ano acontece alguma coisa", disse ele.
A empresa é apoiada pelo Global Fund for Coral Reefs, que até o momento investiu US$20 milhões na Agrion e pode aumentar essa soma para US$50 milhões, disse Judice à margem do evento da Datagro.
A Agrion utiliza resíduos de cana-de-açúcar para produzir seu fertilizante em fábricas que constrói ao lado das usinas de açúcar e etanol existentes, disse Judice.
Embora a empresa tenha atualmente três fábricas no Brasil -- uma produzindo cerca de 40.000 toneladas métricas de fertilizantes por ano e outras duas em construção -- ela espera chegar a 10 fábricas até 2031.
"O business plan hoje... são 10 plantas, a gente vai produzir em torno de 500 mil toneladas por ano de fertilizantes. Que a gente chegaria perto de R$2 bilhões de faturamento", disse Judice em uma entrevista.

