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Analistas opinam sobre futuro da Venezuela após Constituinte de Maduro

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CARACAS - O domingo passado foi um dia crucial para traçar o futuro da Venezuela, país mergulhado em uma profunda crise político-econômica. Com a eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro sem o respaldo da população e da oposição, o governo terá “suprapoderes” para redesenhar a Constituição do país, conforme classificou o mandatário. Diante desse cenário, que muitos acusam de manipulação para perpetuar Maduro no poder, especialistas analisam as possíveis consequências para o país:

- Félix Seijas, diretor e fundador da Delphos CA, empresa de estudos de investigação estatística:

“As repercussões são duas: desde o institucional, esta Constituinte vai levar o país a uma reforma que vai moldar a nação aos interesses de Maduro, buscando seu objetivo, que é se perpetuar. Por outro lado, é preciso ver como termina a imagem da Mesa da Unidade Democrátia (MUD, principal partido opositor) a partir de hoje.

- Adolfo P. Salgueiro, advogado especialista em relações internacionais:

“Tem impacto. No cenário interno, porque apenas a convocação desta eleição deu lugar a aumentos graudais jamais vistos da polarização. Já no (cenário) externo porque quase todo o mundo rejeita a manobra e está isolando o governo de Maduro. Apenas a Rússia, entre os grande, o apoia”.

- Ricardo Sucre, cientista político na Smart Thinkers CA:

“Levando em conta também a eleição passada que realizou a oposição, o impacto em geral que estes comícios têm é que o povo venezuelano quer resolver diferenças por meio do voto, é o método que privilegia com muita força. Isso é o que resgataria, ainda que não haja competência nas eleições”.

- Félix Seijas, diretor e fundador da Delphos CA, empresa de estudos de investigação estatística:

“A MUD tem que trabalhar sua imagem. Seu primeiro objetivo tem que ser manter-se como a principal oposição do governo. E não fica a opção de aumentar a pressão para conquistar o diálogo, que não teve efeito porque Maduro sente que há pouco necessidade de dialogar”.

- Adolfo P. Salgueiro, advogado especialista em relações internacionais:

“A oposição tem poucas opções, porque, ainda quando é altamente majoritária, é evidente que o regime — que tem a força — está disposto a usá-la cada vez mais intensamente. A oposição usa a desobediência civil, que está consagrada na Constituição’.

- Ricardo Sucre, cientista político na Smart Thinkers CA:

“Eu vejo que a oposição tem duas opções: a da rota eleitoral, que é participar nos próximos comícios, construindo uma alternativa. Mas acho difícil que assumam, porque sua luta foi de resistência, que é a outra opção, apelando às sanções internacionais”.

- Félix Seijas, diretor e fundador da Delphos CA, empresa de estudos de investigação estatística:

“Isso vai depender de quem toma o controle da Constituinte. Há dois grupos em conflito: se Diosdado Cabello (número 2 do chavismo) conseguir se impor, haverá um presidente com poder escasso. Mas se Maduro consegue tomar o controle, sua posição se fortalece e o jogo continua”.

- Adolfo P. Salgueiro, advogado especialista em relações internacionais:

“Provavelmente não haverá Maduro por um tempo. Será sabido quando se instalar a Assembleia Constituinte e quando se puder calibrar se o apoio militar continuará e o quão intensas serão as fraturas dentro do mesmo regime”.

- Ricardo Sucre, cientista político na Smart Thinkers CA:

“(Maduro) chega a 2018, mas ‘por um tempo’ está condicionado a muitas variáveis: a variável expectativa e resposta que ele tenha e a variável ‘candidatura 2018’. Também influencia a pressão internacional, porque o conflito venezuelano já é um conflito que saiu do país”.

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