Início Mundo Ao atender judeus, Trump foca na base evangélica
Mundo

Ao atender judeus, Trump foca na base evangélica

Envie
Envie

WASHINGTON — A mais relevante decisão de política externa do presidente Donald Trump até agora — reconhecer Jerusalém como capital de Israel — teve como base uma forte pressão religiosa e um cálculo eleitoral. A medida foi comemorada fortemente por grupos religiosos, que compõem a base de Trump desde que ele, na campanha eleitoral do ano passado, se comprometeu a ser uma fervorosa voz contra o aborto — um fato realçado depois que o presidente defendeu o fim das restrições para que igrejas participem da vida política, inclusive doando recursos a candidatos.

“Os evangélicos estão extasiados com os planos do governo Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel”, iniciava assim o texto “Promessa feita, promessa cumprida” da Rede de Radiodifusão Cristã (CBN, na sigla em inglês) sobre a medida, muito criticada em praticamente todo o mundo, por dificultar o processo de paz entre israelenses e palestinos — que também reivindicam a cidade como sua capital. O editorial saudava “o grande presidente Trump” e lembrava que esta poderia ser a melhor notícia para os cristãos na política externa desde que Harry Truman reconheceu Israel como um Estado há 70 anos.

Outra influente rede conservadora, a “National Review”, disse em editorial aplaudir o presidente, que mostra um enfrentamento à “irracionalidade palestina”. “Os palestinos muitas vezes recorrem à violência e ameaças de violência, mesmo quando não estamos causando provocações. Não devemos deixar a irracionalidade dos palestinos ditar nossa política”, afirmou o texto.

— O cristianismo começou em Jerusalém, que serviu de contexto para a vida de Jesus e o ministério terreno — disse em entrevista para a CBN Jentezen Franklin, pastor sênior da Geórgia. — O significado de Jerusalém para os cristãos não pode ser separado de seu significado para o povo judeu.

Mas mais do que reconhecimento, a decisão foi influenciada pelos conselheiros evangélicos, grandes incentivadores do reconhecimento, contrariando grandes vozes diplomáticas e de segurança.

— Eu não tenho dúvida que os evangélicos tiveram um papel significativo nesta decisão. Não acredito que isso teria acontecido sem eles — disse Johnnie Moore, pastor da Califórnia e porta-voz do conselho de líderes evangélicos da Casa Branca.

Paula White, líder religiosa que está no conselho de Trump, afirmou que a medida mostra o compromisso do presidente com os cristãos:

— Mais uma vez, o presidente mostrou ao mundo que é um líder que está disposto a fazer o que é certo, por mais ruidosos que sejam os céticos e os críticos. Os evangélicos estão em êxtase, pois Israel é para nós um lugar sagrado, e os judeus são os nossos amigos mais queridos.

Mas a decisão não foi apenas baseada em sua fé. Pesou fortemente a influência de grupos de lobby religioso. My Faith Votes (Minha Fé Vota) não esconde a conexão entre religião e política e criou correntes para enviar mensagens à Casa Branca pedindo mudança de postura do governo.

Apesar de saudada por grupos evangélicos, líderes judeus se dividiram sobre a medida de Trump. A União das Congregações Judaicas Ortodoxas da América e o Comitê Judeu Americano aplaudiram a iniciativa do presidente, mas o influente rabino Rick Jacobs, da União pela Reforma do Judaísmo, disse à CNN que estava preocupado com o calendário do anúncio da mudança e a falta de um processo de paz abrangente na região.

Siga-nos no

Google News