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Artigo: Com eleições antecipadas, Brexit segue firme nos trilhos

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A surpreendente decisão da primeira-ministra britânica de realizar eleições antecipadas em junho dificilmente acabará com os esforços para tirar o país da União Europeia (UE) — mas poderia aliviar a pressão sobre Theresa May durante as torturantes negociações nos próximos dois anos. Ela aproveitou o momento para reiniciar o relógio com o processo em andamento, mas a dinâmica não deve refazer o referendo do ano passado. Também não há um líder sequer que pudesse dar voz ao grupo anti-Brexit. A reação do líder trabalhista Jeremy Corbyn às eleições antecipadas evitou qualquer menção ao processo, uma mostra de seus temores de que tentar reverter a decisão poderia afastar grande parte de sua base.

May está agindo a partir de uma posição de força, exceto por uma onda imprevista pró-UE dos liberal-democratas. Assim, pode ganhar um mandato, esmagar um Partido Trabalhista que está afundando sob a direção de Corbyn e lidar com qualquer dissidente dentro da legenda. A conclusão é de que ela abre o caminho para a sua própria abordagem em relação ao Brexit, que parece favorecer uma ruptura bastante dura com a UE, com algum tempo de transição ao longo do caminho para aliviar a dor.

Os políticos britânicos agora lutam por posições nas eleições. E os liberal-democratas, que governaram ao lado dos conservadores até 2015, parecem mais preparados para agarrar a bandeira pró-UE. “Se você quer evitar uma desastrosa saída mais linha-dura, se quiser manter o país no Mercado Único, se quiser um Reino Unido aberto, tolerante e unido, esta é a sua chance”, disse o líder da legenda, Tim Farron, em nota.

É provável que os liberal-democratas consigam alguns assentos de eleitores que querem mostrar seu descontentamento com a maneira com que o país está sendo conduzido. Mas a legenda tem cerca de 10% nas pesquisas — o que não é suficiente para se tornar uma força plausível para desafiar May. Uma pesquisa recente, porém, mostra que a maioria dos apoiadores do Partido Trabalhista não quer que Corbyn se torne premier — e a legenda está no caminho para sua pior exibição desde 1918. A dinâmica mais interessante será dentro do Partido Conservador: qual será o equilíbrio entre os partidários linhas-duras do Brexit e aqueles que preferem uma abordagem mais suave?

A Europa, por sua vez, está dando de ombros. A maioria dos analistas e funcionários com quem conversei disse que estava pronta para negociar com quem quer que se sentasse do outro lado da mesa. Eles veem a eleição como um movimento interno de May, focado em marginalizar vozes opostas a ela, não um movimento que altere fundamentalmente o cálculo do Brexit.

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