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De garoto-problema à personalidade da realeza britânica mais amada do mundo

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LONDRES — Uma infância traumatizada pela morte precoce da mãe, quando ele tinha 12 anos; uma adolescência conturbada com festas, mulheres, bebidas e brigas em pubs londrinos - incluindo uma fantasia nazista polêmica -; e uma fase adulta de carreira militar e reconciliação com os londrinos, culminando com um casamento real esperadíssimo, com uma atriz americana, ativista, feminista e afro-americana.

Harry Charles Albert David de Gales, o neto-problema da rainha Elizabeth, não herdou a beleza e os olhos afetuosos da mãe, a princesa Diana, nem a conduta impecável do irmão mais velho, William. Sequer cursou a universidade: optou por seguir direto a carreira militar. Sua proximidade com a vida dos plebeus, no entanto, fez com que ele, de certa forma, caísse nas graças dos britânicos. Também conhecido como o "Príncipe Feliz", Harry sempre foi contrário a protocolos e pouco afeito à formalidade de seus parentes reais. Talvez por isso seja hoje, aos 33 anos, a personalidade da realeza britânica mais amada do mundo, junto com sua avó.

Sua infância, no entanto, foi marcada pelo luto. A morte da mãe em um acidente de carro em Paris, em 1997, quando ele tinha apenas 12 anos, foi um duro golpe que ele carregou, em silêncio, por anos. Bloqueou a dor, enfrentando crises de ansiedade em compromissos da família real - confessou, anos depois, ter estado "muito próximo de ter um ataque nervoso em diversas situações" - até que acabou recorrendo a um psicólogo quando tinha 28 anos, após dois anos de "caos total" em sua vida.

Na adolescência, viveu o auge da rebeldia, ganhando holofotes e manchetes de jornais por abusos com drogas, festas e até polêmicas racistas. Em 2002, com apenas 17 anos, Harry agitou os ânimos da sociedade britânica ao indicar que já bebia e fumava maconha. Com a confissão, seu pai, o príncipe Charles o mandou para um centro de reabilitação. Passou um dia na instituição.

Assim como seu irmão mais velho, Harry completou seus estudos no elitista colégio Eton, onde se formou em 2003, para depois começar um ano sabático. Em 2004, uma viagem a Lesoto, país pobre do sul da África, pareceu ter lhe colocado de volta aos eixos. Naquele ano, trabalhou em um lar para órfãos do HIV, tornando sua uma das causas da mãe. Ao lado do príncipe Seeiso criou a organização de caridade Sentebale, uma casa que abriga crianças abandonadas e com necessidades especiais, vítimas do vírus.

No mesmo ano, no entanto, ao voltar ao Reino Unido, nova polêmica: o príncipe ganhou o apelido 'Harry Potty' por uma briga com um paparazzi. Mas, se até então, suas atitudes eram vistas com certa benevolência, em janeiro de 2005, sua imagem se deteriorou de vez quando foram publicadas fotos suas em uma festa de "coloniais e nativos" fantasiado com um uniforme nazista, do Afrika Korps. Teve que se desculpar publicamente.

A última manchete polêmica aconteceu apenas em 2012, quando Harry acabou fotografado nu com uma mulher desconhecida em uma festa em Las Vegas. Os jornais britânicos decidiram inicialmente não publicá-las, mas as fotos acabaram no "The Sun" e deram a volta ao mundo.

Foi a carreira militar que ajudou Harry - que tinha chegado a pensar em deixar de fazer parte da realeza britânica - a amadurecer. Ainda em 2005, dispensou a universidade e ingressou na prestigiada Real Academia Militar de Sandhurst, perto de Londres, para fazer parte do Exército britânico. Sua estadia na corporação o levou a servir no Afeganistão em duas ocasiões, tirar o título de piloto de helicóptero, dormir em tendas de campanha e contêineres, e servir 20 semanas na primeira linha.

E até matar talibãs. Quando questionado sobre o assunto, se limitou a responder: "Te pedem que faça coisas que esperam que você faça quando usa esse uniforme".

O príncipe soldado adotou a causa dos militares feridos e criou para eles os Invictus, uma competição esportiva ao estilo dos Jogos Paralímpicos, que teve sua primeira edição em Londres em setembro de 2014. A carreira, no entanto, acabou em 2015. Anos atrás, admitiu ter sido o melhor período de sua vida.

Após poucos casos amorosos e apenas um namoro sério, Harry conheceu a atriz americana Meghan Markle por uma amiga em comum, aos 31 anos. Desde então, viveram um amor à primeira vista e sentiram rapidamente que seu primeiro breve encontro, às cegas, podia se tornar algo sério. Harry confirmou a relação em novembro do mesmo e, um ano depois, em 27 de novembro, o casal anunciou seu noivado.

- O fato de eu me apaixonar por Meghan tão incrivelmente rápido foi uma confirmação de que todas as estrelas estavam alinhadas. Tudo era perfeito - explicou no dia do anúncio.

Harry nasceu às 4h20 do dia 15 de setembro de 1983 no hospital St. Mary's de Londres, assim como seu irmão mais velho, o príncipe William, dois anos antes. Nasceu terceiro na linha de sucessão ao trono - mas se tornou o sexto com o nascimento do seu terceiro sobrinho, no mês passado.

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