BOGOTÁ — Com mais de 90% das urnas apuradas na Colômbia, o candidato de direita— discípulo do ex-presidente Álvaro Uribe — é o grande vencedor, com 54% dos votos, confirmando as pesquisas que lhe mostravam como favorito. O ex-guerrilheiro Gustavo tem, até agora, 41% e os votos brancos foram de pouco mais de 4%. Com 41 anos, o afilhado político do polêmico ex-presidente se torna assim o mandatário mais jovem eleito na Colômbia desde 1872.
Com pouca experiência política, Duque chegou ao Parlamento por uma lista fechada liderada por Uribe e, embora tenha se destacado no Senado, anaistas dão todo o mérito da vitória ao uribismo.
— Nada é dele, tudo foi alavancado pelo capital político que o ex-presidente Uribe tem — garantiu Fabián Acuña, cientista político da Universidade Javeriana.
Seu opositor, Petro, de 58 anos, é um ex-guerrilheiro do M-19, já dissolvido, que defende os acordos de paz e grandes reformas e pretende romper o histórico controle da direita.
Duque pretende recuperar o cargo máximo do país para uma direita contrária ao acordo com as Farc, diminuir os impostos para as empresas e levar a pressão internacional contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
Ex-prefeito de Bogotá, Petro trouxe de volta à política colombiana os discursos de praça e a convocação de multidões. Contudo, na corrida eleitoral, que lhe rendeu 25% dos votos no primeiro turno de 27 de maio, ele se afastou das ruas e não participou de nenhum debate na televisão, diante da recusa de seu adversário.
Em um país de 49 milhões de habitantes, com 27% de pobreza e o maior produtor mundial de cocaína, Petro apresenta uma série de reformas destinadas a “aprofundar a paz”, que ele apoia irrestritamente. Suas propostas de tributação de latifúndios improdutivos, migração para uma economia que menos dependente do petróleo e do carvão, empoderamento dos camponeses e críticas às políticas antidrogas atuais preocupam as elites.
— A necessidade de mudar as coisas é fundamental, vamos construir uma Colômbia humana em paz, que se reconcilie consigo mesma — apontou Petro, antes de votar.
Já o atual presidente Juan Manuel Santos — que deixará o poder em agosto — evitou se posicionar ao votar durante a manhã na Praça de Bolívar, em Bogotá. O Nobel da Paz de 2016 destacou as “arantias” de segurança que os eleitores terão, em um país onde a violência afetou por décadas as eleições.
— São eleições transcendentais.

