BOGOTÁ — Com mais de 90% das urnas apuradas na Colômbia, o candidato de direita Iván Duque — discípulo do ex-presidente Álvaro Uribe — é o grande vencedor, com 54% dos votos, confirmando as pesquisas que lhe mostravam como favorito. O ex-guerrilheiro Gustavo tem, até agora, 41% e os votos brancos foram de pouco mais de 4%. Com 41 anos, o afilhado político do polêmico ex-presidente Álvaro Uribe (2002-10) se torna assim o mandatário mais jovem eleito na Colômbia desde 1872. Mas, com pouca experiência política, o vencedor do primeiro turno — com 39% dos votos — chegou ao Parlamento por uma lista fechada liderada por Uribe e, embora tenha se destacado no Senado, anaistas dão o mérito ao uribismo.
— Nada é dele, tudo foi alavancado pelo capital político que o ex-presidente Uribe tem — garantiu Fabián Acuña, cientista político da Universidade Javeriana.
Seu opositor, Petro, de 58 anos, é um ex-guerrilheiro do M-19, já dissolvido, que defende os acordos de paz e grandes reformas e pretende romper o histórico controle da direita.
Duque pretende recuperar o cargo máximo do país para uma direita contrária ao acordo com as Farc, diminuir os impostos para as empresas e levar a pressão internacional contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
Ex-prefeito de Bogotá, Petro trouxe de volta à política colombiana os discursos de praça e a convocação de multidões. Contudo, na corrida eleitoral, que lhe rendeu 25% dos votos no primeiro turno de 27 de maio, ele se afastou das ruas e não participou de nenhum debate na televisão, diante da recusa de seu adversário.
Em um país de 49 milhões de habitantes, com 27% de pobreza e o maior produtor mundial de cocaína, Petro apresenta uma série de reformas destinadas a “aprofundar a paz”, que ele apoia irrestritamente. Suas propostas de tributação de latifúndios improdutivos, migração para uma economia que menos dependente do petróleo e do carvão, empoderamento dos camponeses e críticas às políticas antidrogas atuais preocupam as elites.
— A necessidade de mudar as coisas é fundamental, vamos construir uma Colômbia humana em paz, que se reconcilie consigo mesma — apontou Petro, antes de votar.
Já o atual presidente Juan Manuel Santos — que deixará o poder em agosto — evitou se posicionar ao votar durante a manhã na Praça de Bolívar, em Bogotá. O Nobel da Paz de 2016 destacou as “arantias” de segurança que os eleitores terão, em um país onde a violência afetou por décadas as eleições.
— São eleições transcendentais.

