CARACAS - O governo venezuelano deu nesta segunda-feira um novo passo em sua ofensiva contra a procuradora-geral Luisa Ortega, que enfrenta agora uma auditoria por supostas irregularidades administrativas. O controlador-geral Manuel Galindo, de linha chavista, anunciou uma inspeção do Ministério Público bem no momento em que Ortega acompanhava uma sessão no Parlamento de maioria opositora.
Ortega declarou que seu gabinete está aberto a revisão de todas as contas, desde que seja feito de forma respeitosa. A decisão do controlador aperta ainda mais o cerco sobre Ortega, que se distanciou do governo há três meses depois de anos de fidelidade ao chavismo, por considerar que o presidente Nicolás Maduro feriu a Constituição.
Em discurso inédito a deputados da Assembleia Nacional, Ortega se pronunciou sobre a situação do país e pediu ao Parlamento que lute pela democracia. Ela compareceu ante o Congresso para prestar contas de sua gestão em 2016, e foi recebida com aplausos dos opositores e de seu marido, Germán Ferrer, o único parlamentar chavista presente na sessão.
— Vamos lutar pela democracia. Não importa que pensem diferente de nós, devemos condenar a violência venha de onde vier — afirmou Ortega em sua breve intervenção.
No debate, o bloco opositor ratificou a designação do vice-Procurador Rafael González por parte de Ortega, uma decisão que havia sido invalidada pelo Tribunal Supremo de Justiça.
Ela também pediu que se faça "grandes esforços para que as vias institucionais e eleitorais sejam retomadas (...) para acabar o mais rápido possível com a violência e evitar mais mortos". Em três meses de protestos opositores, foram registradas 89 mortes.
A Procuradora-Geral deverá comparecer nesta terça ante uma audiência no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de servir ao governo e que avaliará um pedido de Caracas para que Ortega seja julgada por supostas faltas no cargo, a fim de ser destituída.

