Início Mundo Entenda a demissão do diretor do FBI por Trump em quatro perguntas
Mundo

Entenda a demissão do diretor do FBI por Trump em quatro perguntas

Envie
Envie

WASHINGTON — O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu abruptamente na terça-feira o diretor do FBI, James Comey, por recomendação do procurador-geral, Jeff Sessions. A decisão do republicano provocou uma onda de críticas, enquanto senadores afirmam que a demissão caracteriza abuso de poder. Entenda aqui a polêmica em quatro perguntas.

Trump e seus aliados no Departamento de Justiça americano afirmaram que o modo que Comey lidou com a investigação sobre o caso dos emails de Hillary Clinton é a justificativa para a sua demissão. A democrata, derrotada nas eleições presidenciais do ano passado, usou um servidor de email privado para trocar mensagens sobre o seu trabalho enquanto chefiava o Departamento de Estado no governo de Barack Obama. O caso foi investigado pelo FBI, num grande escândalo que dificultou a campanha de Hillary na corrida à Casa Branca.

“Hoje, o presidente Donald Trump informou ao diretor do FBI, James Comey, que ele foi demitido e removido do gabinete. O presidente Trump agiu baseado em claras recomendações do procurador-geral, Jeff Sessions, e seu vice, Rod Rosenstein”, disse um comunicado da Casa Branca.“O FBI é uma das instituições mais respeitadas e admiradas, e hoje marcará um novo começo para nossa joia da coroa na defesa da lei”.

Em um memorando para Sessions, que foi divulgado pela Casa Branca na terça-feira, Rosenstein escreveu: “A maneira que o diretor lidava com a conclusão da investigação dos e-mails estava errada. (...) Não entendo sua recusa de aceitar o julgamento quase universal de que ele estava enganado”.

Sessions confirmou que o Departamento de Justiça estava comprometido ao alto nível de disciplina, à integridade e ao Estado de direito, argumentando que um novo início era preciso para o FBI.

Comey foi criticado pelos democratas pela maneira com que lidou com a investigação sobre Hillary Clinton. O FBI apurava se o uso por Hillary de um servidor de e-mail privado para trabalho e mensagens pessoais comprometeu a segurança nacional. Após ao caso ter sido inicialmente concluído, o então diretor divulgou, em carta ao Congresso, que as investigações estavam sendo reabertas sobre a história quando faltavam apenas poucos dias para as eleições. Muitos afirmam que o inquérito beneficiou Trump.

Em entrevista recente, Hillary culpou parcialmente a carta de Comey pela sua derrota. A carta notificava o Congresso que o FBI estava analisando os e-mails do laptop da ex-secretária de Estado. Na época, Trump agradeceu Comey pela decisão, a que chamou de corajosa.

Comey também foi criticado por participar de uma entrevista coletiva no final de julho, na qual disse que Hillary não seria indiciada pela história dos emails, mas a chamou de “extremamente descuidadosa”. Sua declaração foi interpretada como uma infração do papel do Departamento de Justiça.

Nos últimos dias da campanha presidencial, Comey disse que, depois de rever os e-mails do laptop, o FBI ainda acreditava que Hillary não seria acusada. Isso levou Trump a dizer que Clinton estava “protegida por um sistema fraudulento”.

Muitos democratas criticavam a atuação de Comey, mas, mesmo assim, condenaram a troca da chefia do órgão justo durante a investigação sobre a influência russa nas eleições presidenciais, em que há suspeita de favorecimento à chapa de Trump. O Partido Democrata sugere que a investigação sobre Hillary foi usada para encobrir o real motivo de Trump para afastar Comey da direção do FBI. A Câmara dos Deputados e o Comitê de Inteligência do Senado também fizeram as mesmas alegações.

O senador democrata Richard Blumenthal afirmou que o caso configura “abuso de poder” por parte de Trump. Já Charles Schumer, líder democrata no Senado, pediu a designação de um procurador especial para investigar a influência russa no pleito de novembro.

Na terça-feira, a CNN disse que um grande júri começou a emitir intimações a associados de Michael Flynn, ex-conselheiro de Segurança Nacional, no centro da investigação sobre a interferência russa nas eleições americanas. Se confirmado, o relatório sugere que o inquérito do FBI sobre as ligações de Trump com Moscou entrou em uma fase significativa.

— Essas investigações não chegaram muito perto da casa do presidente? — perguntou Schumer, adicionando: — Não parece ser uma coincidência.

A maioria dos republicanos concordam com a decisão de Trump. O presidente da Comissão Judiciária do Senado, Chuck Grassley, disse que a atuação de Comey na investigação sobre Hillary foi um claro exemplo de que suas decisões puseram em risco a confiança e a independência política do FBI.

Também há quem discorde entre os republicanos. Justin Amash, legislador do Michigan, descreveu a justificativa de Trump como “bizarra”. Richard Burr, republicano que lidera a investigação do Comitê de Inteligência do Senado sobre a influência da Rússia sobre a eleição presidencial de 2016, disse estar preocupado com a decisão.

"Comey é um servidor público da mais alta ordem e sua demissão confunde ainda mais uma investigação já difícil pela comissão", Burr afirmou.

Siga-nos no

Google News