PARIS — Os hackers por trás do ciberataque contra a campanha de Emmanuel Macron, eleito no domingo o próximo presidente da França, estão sendo ligados a um grupo russo por empresas de pesquisa em segurança cibernética. A mesma organização é acusada de hackear o Partido Democrata dos Estados Unidos pouco antes das eleições presidenciais americanas no ano passado. Especialistas acreditam que, se confirmada a responsabilidade do grupo, esta pode ser uma prova da expansão dos esforços de espionagem russos em potências mundiais.
A dois dias da votação do segundo turno francês, a campanha de Macron foi alvo de um ciberataque sem precedentes, em que dezenas de milhares de documentos foram vazados. A campanha do ex-ministro da Economia, que durante a corrida eleitoral alegou que estava sendo alvo de ações cibernéticas da Rússia, afirmou ter sido vítima de "uma operação de hackeamento massiva e coordenada".
Em nota, a equipe do ex-ministro disse que documentos autênticos haviam sido roubados e "misturados com outra documentação falsa para criar dúvida e desinformação". Afirmou também que os autores do ataque tinham a "clara intenção de prejudicar o candidato", faltando poucas horas para a França ir às urnas. O vazamento aconteceu após o fim da campanha oficial, quando nenhum candidato podia mais fazer comícios e declarações eleitorais até o fim do pleito.
As empresas New York’s Flashpoint Intelligence, em Nova York, e Trend Micro, em Tóquio, compartilharam informações indicando que o grupo conhecido como Advanced Persistent Threat 28, Fancy Bear ou Pawn Storm foi responsável pelo ciberataque na França. Os mesmos hackers já foram anteriormente conectados à Inteligência militar russa.
— Se realmente conduzido por Moscou, este vazamento parece ser uma escalada significante das operações anteriores da Rússia, que miravam as eleições presidenciais dos EUA, expandindo sua abordagem e o escopo de esforços da simples espionagem para tentativas mais diretas de influenciar o resultado — disse o diretor da Flashpoint, Vitali Kremez, ao “Guardian”.
Com uma plataforma centrista, Macron venceu as eleições de domingo com 66% dos votos, derrotando a sua rival da ultradireita nacionalista Marine Le Pen. A candidata obteve 34% dos votos. A aposta política de Macron foi um sucesso, mas o passo seguinte é uma incógnita. Após eleger seu presidente, os franceses voltam às urnas em junho para votar nas eleições legislativas, dominadas pela incerteza.
A vitória do candidato centrista pró-União Europeia (UE) representa um alívio para aliados europeus, que temiam mais um avanço populista caso Le Pen se saísse vitoriosa — depois do Brexit no Reino Unido e da eleição do republicano Donald Trump para a Presidência dos EUA. Sua maior promessa é superar ultrapassadas divisões entre esquerda e direita num país altamente dividido.

