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EUA e Coreia do Norte vivem tensão máxima após indícios de teste nuclear

WASHINGTON e PYONGYANG As indicações de que a Coreia do Norte está preparada para realizar um novo teste nuclear, em aberto desafio às proibições internacionais e às renovadas advertências dos Estados Unidos, acenderam o sinal de alerta em vários países do mundo ontem. Enquanto a China pedia calma e o Japão indicava que Pyongyang pode também já estar de posse de tecnologia para colocar gás sarin em mísseis, o presidente Donald Trump — uma semana após ordenar o bombardeio à base aérea de Al-Shayrat, na Síria — subiu o tom e mandou um recado direto ao regime do ditador Kim Jong-un, dizendo que os EUA “vão cuidar do problema” norte-coreano. Ao mesmo tempo, os EUA usaram ontem pela primeira vez, no Afeganistão, sua mais potente arma não nuclear — a chamada Mãe de Todas as Bombas, de 10 toneladas — no que muitos viram como uma demonstração de poder.

O programa nuclear da Coreia do Norte foi um dos principais temas internacionais da campanha eleitoral de Trump. Ontem, fotos de satélite indicaram que Pyongyang prepara um novo teste nuclear — o sexto e possivelmente mais destrutivo em uma década — que poderia ser realizado amanhã, em comemoração ao 105º aniversário de Kim Il-sung, avô do atual líder e fundador da Coreia do Norte.

— A Coreia do Norte é um problema, e um problema que será resolvido — disse Trump na Casa Branca.

O presidente determinou o envio do porta-aviões Carl Vinson e de mais três navios de guerra para a Península Coreana. O Japão, que alterou em setembro passado sua Constituição para permitir o envolvimento militar no exterior, afirmou que mandará navios de guerra para acompanhar a força-tarefa americana. As tensas relações entre Tóquio e Pyongyang atingiram seu ponto mais crítico este ano, após foguetes norte-coreanos caírem em águas japonesas no início do mês passado.

— É possível que a Coreia do Norte já tenha desenvolvido a capacidade de incluir ogivas de gás sarin em seus mísseis — alertou o premier japonês, Shinzo Abe, ao Parlamento.

Temeroso de uma radicalização no enfrentamento entre os EUA e a Coreia do Norte, o presidente chinês, Xi Jinping, que já esteve com Trump há uma semana na Flórida, telefonou para o americano pedindo uma resolução pacífica para o aumento das tensões na Península Coreana. No Twitter, Trump já deixara claro dois dias antes que esperava a intervenção da China, mas sugeriu estar preparado para agir de qualquer maneira. “A Coreia do Norte está procurando encrenca. Se a China decidir ajudar, será ótimo e estou confiante de que eles lidarão com o tema da maneira apropriada. Caso contrário, resolveremos sem eles”.

O chanceler chinês, Wang Yi, reforçou o pedido de calma.

— Força militar não resolverá a questão. Em meio a tensões, devemos encontrar uma oportunidade para retomar diálogos.

Paralelamente, os EUA lançaram ontem, no Leste do Afeganistão, a maior bomba não-nuclear já utilizada em combate. Segundo a Casa Branca, a operação, considerada bem-sucedida pelo Pentágono, teve como alvo membros do Estado Islâmico que se movimentavam por uma série de cavernas interligadas no distrito de Achin, na província de Nangarhar. O projétil, de dez toneladas, é chamado tecnicamente de Explosivo Aéreo de Ordenança Massiva, mas sua sigla em inglês (Moab), lhe rendeu o apelido de “Mother of all bombs” (“Mãe de todas as bombas”). O Pentágono não soube precisar o número de mortos na operação, mas, quando perguntado se o uso da bomba mandava um recado a Pyongyang, Trump desconversou:

— Não sei se manda alguma mensagem. Mas isso não faz qualquer diferença — afirmou.

Na Coreia do Norte, fontes ligadas ao governo afirmam que o país está pronto para entrar em guerra “caso os americanos voltem a bombardear”, uma referência aos ataques americanos durante a Guerra da Coreia, no início dos anos 1950, constantemente recordados pela mídia estatal.

— Os agressivos atos de guerra por parte dos EUA estão se tornando cada vez mais inconsequentes — afirmou um funcionário do governo à CNN. — Governos americanos anteriores atacaram países que não tinham armas nucleares, e o de Trump não é diferente. Estamos à beira da guerra.

O jornal estatal chinês “Global Times” também indicou que o risco de conflito militar é o maior desde o primeiro teste norte-coreano em 2006. Segundo o diário, o recente ataque ordenado por Trump à base aérea de Al-Shayrat — o primeiro dos EUA às forças do ditador Bashar al-Assad, acusado de usar armas químicas — dá mais peso às advertências do presidente sobre o uso da força contra Pyongyang.

Em entrevista divulgada ontem, Assad afirmou que o ataque químico em Khan Sheikhoun, na semana passada, foi fabricado pra justificar uma ofensiva americana contra seu regime.

— Para nós, trata-se de um evento 100% fabricado. E se houve um ataque, quem o lançou? Nós não possuímos armas químicas, renunciamos a todo o nosso arsenal. E mesmo que possuíssemos tais armas, nunca usaríamos — afirmou Assad, acusando Washington de apoiar grupos terroristas. — Os Estados Unidos não são sérios na busca de qualquer solução política. Eles querem usar o processo político como um guarda-chuva para os terroristas.

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