Há quem sinta compaixão ao ver o drama dos refugiados sírios. Outros elaboram complexas soluções geopolíticas e alguns simplesmente mudam de canal. Donald Trump Jr. não faz nada disso. O filho mais velho do entra no Twitter e, bem ao estilo do pai, libera a torrente de seus pensamentos, compara os refugiados com balinhas coloridas () e alerta que, ao contrário do que parecem, são um veneno que “pode matar você”. Depois finaliza: “Vamos pôr um fim à agenda do politicamente correto.”
É assim o primogênito do homem mais poderoso do planeta: Donny, para os amigos. Cabelo engomado, rosto bem-apessoado e um amor quase doentio pelo pai. Apesar de ter vivido à sombra de seu progenitor, Trump Jr., aos 39 anos, junto com seu irmão Eric, tomou as rédeas do .
O resultado salta aos olhos. Donny admira o pai. Só tem superlativos para ele: visionário, corajoso, indomável... “É meu mentor, meu amigo. Sou filho de um grande homem.” Mas nem sempre foi assim. Nascido do casamento de Trump com a modelo tcheca Ivana Zelnickova, aos 12 anos sofreu a amargura do divórcio. Culpou o pai por tudo. “Como pode dizer que gosta da gente? Só ama seu dinheiro”, chegou a dizer, numa das brigas.
Porém, com os anos e o empenho do próprio Trump, a relação endireitou. Sob a orientação do pai, Donny começou a, mais do que qualquer outro irmão, seguir seus passos. Estudou na mesma universidade (Wharton), tornou-se abstêmio, casou-se em Mar-a-Lago com a mulher que o pai lhe apresentou, e encontrou no Twitter uma via de expressão natural. Um meio onde Donny, que segue contas do tipo “CNN é Hitler”, foi além do mentor.
Extremista e barulhento, o lado selvagem de Donny não o impediu de ganhar importância desde o início da Presidência. Não somente pela gestão do império familiar, mas porque, da mesma forma que sua irmã Ivanka, foi acometido pela ambição política. Incapaz de distinguir entre o público e o privado, sempre que pode torna pública sua opinião. Como sempre, seguindo os passos do pai.

