BEIRUTE — As milícias sírias apoiadas pela coalizão liderada pelos Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira que retomaram completamente a cidade de Tabqa e também a maior represa do país do Estado Islâmico. As Forças Democráticas da Síria (FDS), uma aliança de combatentes árabes e curdos, lutaram por semanas contra o grupo jihadista em Tabqa, cidade estrategicamente importante para o combate ao Estado Islâmico. A reconquista da cidade acontece em meio a tensão entre os EUA e a Turquia, após a decisão do presidente americano, Donald Trump, de enviar armamento ao grupo curdo Unidades de Proteção Popular (YPG).
Com ataques aéreos e forças especiais em terra, as FDS estão avançando para tentar recapturar Raqqa, seu objetivo principal. A cidade, considerada a capital do Estado Islâmico na Síria, fica a 40 km de distância de Tabqa. Nasser Haj Mansour, um conselheiro das FDS disse que Tabqa e a sua represa estão completamente liberadas depois de a milícia expulsar todos os militantes do Estado Islâmico.
— Capturamos Tabqa graças aos sacrifícios dos heróis das FDS e com o completo e ilimitado suporte da coalização internacional liderada pelos EUA — afirmou o porta-voz das Forças Democráticas da Síria, Talal Silo.
A campanha de Raqqa parecia ter parado em torno de Tabqa, onde as FDS fizeram um progresso lento após conseguir sitiar a cidade. Há duas semanas, eles conseguiram recapturar a maioria de seus distritos e cercaram o EI na barragem. A batalha pela conquista de Tabqa começou depois que as forças americanas ajudaram os combatentes das FDS a conquistar o controle de uma importante base aérea próxima à margem sul do rio Eufrates, no final de março.
Raqqa encontra-se em um enclave do Estado Islâmico na margem norte do Eufrates, depois que as FDS fecharam as saídas do jihadistas na cidade do Norte, no Leste e no Oeste nos meses recentes. Os únicos meios de cruzamento do Estado Islâmico para o seu território principal, ao sul do rio, são de barco, depois que os ataques aéreos derrubaram as pontes da área. O grupo ainda controla parte dos vastos desertos orientais da Síria e da maioria da província de Deir al-Zor, perto da fronteira com o Iraque, mas perdeu terreno no ano passado.
Apesar das ferozes objeções da Turquia, seu aliado na Otan, os Estados Unidos aprovaram esta semana o fornecimento de armas para a poderosa milícia curda YPG, um componente-chave do SDF. O governo de Ancara se opôs fortemente ao apoio dos EUA à YPG, pois considera o grupo como uma organização terrorista. A Turquia acredita que a YPG é a extensão síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla original). O governo de Ancara luta contra uma insurgência do PKK no Sudeste do país desde 1984.
Os Estados Unidos veem o YPG como um valioso parceiro na luta contra os militantes do Estado Islâmico no Norte da Síria e diz que armar as forças curdas é necessário para recapturar Raqqa. O YPG afirmou que a decisão do governo dos Estados Unidos pode trazer bons resultados e ajudar a milícia a ter um papel mais forte, influente e decisivo no combate aos jihadistas.
A pressão contra o Estado Islâmico só cresce. Enquanto as FDS fazem progresso na Síria, no vizinho Iraque, o grupo extremista está lutando contra as forças do país e seus aliados nas últimas regiões que ainda estão sob seu controle na parte ocidental de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana. A guerra na Síria já provocou mais de 320 mil mortos e milhões de deslocados desde seu início em 2011.

