BUENOS AIRES - O governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fechou ainda mais o cerco aos 33 novos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), designados sexta-feira passada pela Assembleia Nacional (AN) e dos quais três estão presos. Segundo confirmou ao GLOBO Miguel Angel Martin, porta-voz dos novos juízes, por ordem do Palácio Miraflores foram bloqueados seus bens e contas bancárias.
— Não temos acesso a nossas contas, nem podemos dispor de nossos bens — afirmou Martin, que, como os outros 30 magistrados que continuam em liberdade, está escondido num lugar que por segurança preferiu não revelar.
O governo os acusou de traição à pátria por terem sido nomeados por uma AN que o TSJ designado pelo anterior Parlamento (que tinha maioria chavista) considera em desacato. Os três já presos serão submetidos a tribunais militares.
O clima entre os que ainda estão livres é cada vez mais tenso. O celular de Martin interrompe as ligações a cada três minutos, também por segurança.
— Depois de três minutos podem localizar onde estamos — comentou o magistrado, que continua ativando contados diplomáticos para obter algum tipo de proteção internacional.
Os magistrados pediram ajuda à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização de Estados Americanos (OEA), as Nações Unidas e ao Vaticano.
— Ainda estamos esperando respostas, são processos demorados — explicou.
Nesta quarta-feira a oposição venezuelana iniciou uma greve geral de 48 horas que praticamente paralisou o país. Os acessos a Caracas estão complicados e grande parte do comércio da capital fechado. Existe grande expectativa no país pela reunião do Conselho Permanente da OEA, onde, mais uma vez, será discutida a crise venezuelana.

