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Impeachment fracassado escancara briga entre filhos de Fujimori

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BUENOS AIRES - Além de acompanharem o processo de impeachment do presidente Pedro Pablo Kuczynski, nos últimos dias os peruanos foram espectadores de uma disputa familiar digna de novela mexicana. Quando tudo parecia indicar que o chefe de Estado seria afastado do cargo por uma manobra orquestrada pela ex-candidata presidencial Keiko Fujimori, seu irmão, o deputado Kenji Fujimori, entrou em cena. Com sua abstenção e a de outros nove membros da majoritária bancada fujimorista no Congresso, salvou Kuczynski.

Aos 37 anos (Keiko tem 42), o também filho do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) roubou a cena no Parlamento, na mídia e nas redes sociais. Antes da votação, postou um vídeo com uma cena do desenho animado “Rei Leão” em sua conta no Twitter na qual Simba, o filho do antigo rei, torna-se o novo líder do grupo. Com a frase “está chegando a hora”, o deputado antecipou seu momento de glória e, consequentemente, a derrota de sua irmã, hoje a dirigente política mais popular do Peru.

As divergências entre ambos são públicas há muito tempo, mas ninguém imaginou que o deputado se atreveria a romper com a maioria do fujimorismo na hora decisiva da votação e, muito menos, que conseguiria a adesão de nove companheiros de bancada. Isso não estava nos cálculos de Keiko, que ontem disse sentir-se orgulhosa dos 61 deputados que apoiaram o afastamento de PPK.

Em meio à guerra entre os irmãos, surgiram rumores sobre o envolvimento do próprio Fujimori numa suposta negociação com o Executivo para garantir a permanência de Kuczynski na Presidência. Hoje, Kenji é muito mais próximo do pai do que Keiko, em grande medida porque continua defendendo, sem fazer questionamento algum, o legado de Fujimori. Já a ex-candidata presidencial, que segundo recente pesquisa da Ipsos tem 27% de intenções de voto, busca promover uma renovação do fujimorismo, o que implica, obrigatoriamente, distanciar-se do ex-presidente.

Durante toda a campanha presidencial, Keiko fez críticas ao governo Fujimori, sobretudo em matéria de respeito aos direitos humanos. Sua atitude acentuou as diferenças com Kenji, representante de um fujimorismo puro.

— Está em jogo a governabilidade — declarou o deputado, horas antes de abster-se de votar no impeachment.

Boatos que circulam em Lima indicam que esta atitude do deputado, com evidentes ambições presidenciais, estaria relacionada a seu objetivo central de obter um indulto a favor de seu pai e, com Fujimori em liberdade, assumir a lideranças do movimento, hoje chefiado por sua irmã.

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