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Israel fecha passagem na fronteira com Egito por temor de atentado

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JERUSALÉM — Israel fechou a sua passagem de fronteira com o Egito, depois de uma advertência de sua agência contraterrorismo sobre um iminente ataque insurgente na área. Em um comunicado, o ministro de Inteligência israelense, Yisrael Katz, disse que tinha informações sobre um possível “ataque terrorista” contra turistas na Península do Sinai. A passagem está aberta para aqueles que desejam retornar do Egito.

Dois ataques contra igrejas coptas egípcias durante as celebrações cristãs do Domingo de Ramos mataram mais de 40 pessoas, levando o governo a declarar estado de emergência por três meses. Logo após os atentados, Israel orientou seus cidadãos no Sinai a voltarem para casa.

A Península do Sinai é um popular destino turístico para os israelenses, especialmente durante as férias de Páscoa. Mas Israel pede há anos aos seus cidadãos para evitarem a área devido à atividade extremista islâmica.

Nesta segunda-feira, cristãos do Egito choraram e demonstraram indignação enquanto retiravam os corpos de familiares e amigos mortos nas duas explosões de bombas nas igrejas, expressando revolta contra um Estado que não acreditam mais que irá protegê-los de vizinhos determinados a exterminá-los.

Ao todo, foram 44 mortos nos ataques e mais de cem feridos. No necrotério do hospital da Universidade de Tanta, famílias desesperadas tentavam entrar para procurar seus parentes mortos. Forças de segurança contiveram os familiares para evitar a superlotação, enfurecendo a multidão.

— Por que vocês estão nos impedindo de entrar agora? Onde vocês estavam quando tudo isso aconteceu? — gritou uma mulher que buscava um familiar.

Algumas pessoas pareciam em estado de choque. Outras choravam abertamente e algumas mulheres estavam em prantos. Um homem de meia-idade que acabava de sair do necrotério depois de ver seu irmão morto chorava com o rosto entre as mãos. Ele xingou as forças de segurança, aos gritos, enquanto a família tentava acalmá-lo.

Horas depois do ataque, Kerols Paheg e outros jovens cristãos coptas já estavam cavando túmulos no subsolo da devastada igreja de São Jorge da cidade do norte do Delta do Nilo, onde a primeira das bombas explodiu, matando 27 pessoas e ferindo cerca de 80.

Ele mostrou fotos da barbárie em seu celular: restos humanos, sangue e vidro estilhaçado espalhados pelo chão da igreja em um dos dias mais sagrados do calendário cristão.

— Hoje deveria ser um dia de festividades — disse. — De agora em diante, os próprios cristãos terão que proteger suas igrejas, ao invés de contar com a polícia, porque o que está acontecendo é demais. É inaceitável.

Horas depois da detonação em Tanta, a segunda bomba explodiu na entrada da igreja de São Marcos, em Alexandria, a sede histórica do Papa copta, matando 17 pessoas, entre eles três policiais, e deixando 48 feridos.

Os coptas representam cerca de 10% dos 92 milhões de habitantes do Egito, a maior minoria cristã do Oriente Médio. Mas apesar de uma presença que data dos tempos romanos, a comunidade se sente cada vez mais rejeitada e já foi alvo de vários ataques, inclusive do Estado Islâmico, que assumiu a autoria das explosões de domingo e alertou para mais ataques.

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