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‘Leopoldo não vai desistir, mesmo que voltem a prendê-lo’ diz mãe de oposicionista venezuelano

CARACAS — Preso desde 2014, Leopoldo López, um dos principais líderes opositores ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela, saiu da prisão em Ramo Verde no sábado. Ex-prefeito de Chacao, cidade da região administrativa de Caracas, recebeu o direito a prisão domiciliar, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, devido sua condição de saúde. Durante seu período no cárcere, além da mulher Lilian Tintori , a mãe Antonieta Mendonza foi uma de suas principais conexões com o mundo exterior. Em entrevista ao El Comercio, a mãe do líder da oposição destaca a determinação do filho em seguir na luta agora que voltou para sua casa.

Não te posso dizer que estou feliz porque ainda restam 431 presos políticos, mas é uma tranquilidade enorme saber que Leopoldo foi retirado da prisão onde estava.

Em Caracas, havia chegado doias dias antes de visitar meu esposo que está exilado na Espanha.

Sim, lhe fizeram uma surpresa. Quanto a mim, me chamaram às 3 da manhã dos sábado, quando ele tinha acabado de chegar em casa.

Muito especiais. Ver o Leopoldo abraçar seus filhos e sua mulher, não mais numa cela escura de dois metros por dois, porém na tranquilidade de sua casa, foi uma grande satisfação. É difícil de definir, após tantos meses, tantas agressões, tantas violações de seus direitos.

O que muda é que já não está mais em uma prisão domiciliar onde recebia torturas psicológicas 24 horas por dia. Mas ele segue preso, deveria ter liberdade plena porque é inocente. Pode receber algumas visitas, mas não pode interagir diretamente com a imprensa.

Estamos nese processo. Leopoldo estava há três anos sem atendimento de um médico, inclusive esteve em greve de fome por um mês. Nos últimos 30 dias, teve um isolamento muito severo, lhe serviram comida que creio que não estava em boas condições. Se intoxicou, teve dores estomacais tem graves problemas de vista também.

Nestas primeiras 48 horas ele passou muito tempo com seus filhos. Para eles, ter seu pai em casa é um presente, ficam grudados o dia inteiro. Depois conseguiu reunir-se com seus companheiros do Vontade Popular e recebeu algumas visitas familiares.

“Não estou disposto a desistir de minha luta”, essas foram sua primeiras palavras. Está na mensagem que Fredy Guevara leu no sábado. “Não vou desistir de minha luta, se isso representar a possibilidade de me prenderem novamente em Ramo Verde eu assumo esse risco. Leopoldo segue em pé de luta, segue lutando pela Venezuela, segue acreditando nos protestos pacíficos, na rua e que a pressão popular levará o povo a transição democrática de que necessita.

Creio que a pressão das ruas nestes 100 dias de resistência e a pressão internacional vem pedindo a liberação dos presos políticos. En um processo democrático não pode haver um preso político.

Não sei o que pensa o regime, mas desde que Leopoldo Saiu de Ramo Verde deu mensagens muito claras, convocando os venezuelanos a continuarem nas ruas, pedindo eleições gerais. No domingo temos um plebiscito e Leopoldo está ativo, mesmo em casa, como sempre o fez.

Creio que não somente a de Leopolfo, sinto que é mais um passo para a liberdade plena de todos os presos políticos.

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