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Venezuela: López livre impõe nova lógica para forças opositoras

Dois dias após o governo venezuelano conceder prisão domiciliar a Leopoldo López, surgiu a primeira grande crise na oposição em três meses de manifestações contra o regime de Nicolás Maduro. As divergências em relação a um protesto planejado para o começo da semana e o gesto de agradecimento ao Executivo da mulher do dirigente, Lilian Tintori, mostraram mais uma vez as fraquezas da Mesa de Unidade Democrática (MUD). Henrique Capriles, duas vezes candidato da MUD, no entanto, descartou que a libertação de López desate uma luta interna: “O governo não vai contar comigo para gerar divisões.”

Quando a Venezuela se preparava para o fechamento das suas principais vias por dez horas na segunda-feira, o vice-presidente da Assembleia Nacional e membro do Vontade Popular (VP), Freddy Guevara, anunciou que a manifestação se reduziria a um par de horas. A decisão foi muito contestada, inclusive por Capriles, o que aumentou as dúvidas sobre o final da libertação judicial de López. O fundador do VP, em prisão domiciliar, terá agora maior capacidade de intervir na estratégia de aliança a partir de sua residência em Caracas. Porém, para muitos, isso não é uma boa notícia. Alguns na MUD acreditam que López encarna a divisão e o egoísmo.

A divergência se somou à primeira declaração de Tintori após a transferência de seu marido, em que se ofereceu para trabalhar com o governo para sair da crise. Alguns interpretaram que a nova situação havia sido um compromisso para negociar o fim dos protestos. Na noite de domingo, Guevara e Tintori reconsideraram sua postura e afirmaram que as ruas se fechariam por dez horas, como previsto. Também salientaram que a saída de López foi uma decisão unilateral do governo.

Com López fora do cárcere, a MUD parece estar obrigada a levar em conta um fator vital. Por muito tempo, sobretudo nos últimos meses, sua mulher e sua mãe tornaram-se sua única ligação com o mundo. López estava afastado das tarefas diárias da aliança, porque o regime de Maduro sempre proibiu as visitas dos membros do partido. As opiniões do dirigente terão mais peso ao estabelecer a postura do VP nas discussões internas.

O bloqueio de segunda-feira também representa um contratempo para os dirigentes que querem acabar com o protesto. Para domingo, está planejada uma consulta popular da oposição, que pretende ser um grande ato político em repúdio à Constituinte. Sem a infraestrutura do Poder Eleitoral à disposição, cabe à MUD a gestão de um operativo complexo. Para que a grande maioria revelada pelas pesquisas se manifeste, deve originar um processo complexo rapidamente.

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