BUENOS AIRES — O líder opositor venezuelano Henrique Capriles criticou o ex-jogador argentino Diego Maradona por ter defendido o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o desafiou a conhecer de perto a crise que sofre o país. O astro de futebol escreveu na segunda-feira em sua conta no Facebook que está disposto a lutar por Maduro. Diversos países e organizações questionam as medidas do presidente contra a oposição e o classificam como o responsável pela crise humanitária no local.
— Se Maradona quiser vir, eu pessoalmente vou buscá-lo no aeroporto e o levo para que veja a situação da Venezuela — disse Capriles a Radio Mitre de Buenos Aires.
Maradona, que era ligado ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, disse que quando Maduro ordene “ele estará vestido de soldado para uma Venezuela livre, para lutar contra o imperialismo e os que querem se apoderar de nossas bandeiras”.
— São pessoas que se dizem de esquerda e vivem como milionários — disse Capriles sobre o astro de futebol, que atualmente é técnico do time Al-Fujairah dos Emirados Árabes Unidos. — Venha para Venezuela, não se meta no Palácio Miraflores como seguramente Diego Armando (Maradona) irá do hotel cinco estrelas ao palácio... E eu o levarei para um bairro, para que fale com o povo venezuelano.
Maradona é um admirador declarado da política socialista adotada por Hugo Chávez e seguida por Nicolás Maduro, que também tem recebido elogios do ex-craque argentino. O ex-jogador era próximo a Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, e tinha uma relação estreita com Chávez. O jogador também apoiou Dilma Rousseff durante protestos contra seu governo.
A Venezuela atravessa uma crise política, econômica e social com confrontos entre forças de segurança e a oposição que já deixaram mais de 120 mortos, em uma repressão que despertou o repúdio internacional. Os chanceleres da América se reunirão nesta terça-feira em Lima para tratar da crise, três dias após o Mercosul suspender o país alegando uma ruptura da ordem democrática.

