PARIS - De acordo com o analista Bruno Cautrès, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, a ampla maioria que votou em Emmanuel Macron contra a líder ultranacionalista Marine Le Pen não se alinha automaticamente ao ex-ministro centrista. Para ele, isto pode trazer problemas ao presidente eleito.
Para obter sucesso, ele deve vencer as eleições legislativas com uma maioria de deputados da República em Marcha!, e nesse momento poderá aplicar seu programa de governo. O sucesso relativo ocorreria se obtivesse uma maioria relativa de deputados na Assembleia Nacional, e que fosse obrigado a compor com parlamentares socialistas e/ou da direita, e a fazer concessões relativas a medidas importantes de seu programa.
O fracasso se daria se a direita de Os Republicanos ganhar as eleições legislativas. Seria o fim para Emmanuel Macron, pois nesse momento se tornaria um presidente de coabitação, mas sem a autoridade que François Mitterrand teve na mesma situação, visto sua experiência política. Já um fracasso relativo ocorreria no caso de ele conseguir ter uma maioria parlamentar, relativa ou absoluta, e após dois anos os franceses chegarem à conclusão de que as promessas não foram cumpridas, e que não é possível ver a diferença entre a vida social, econômica e real com ou sem Macron.
Os 66,1% que ele obteve no segundo turno não significam muita coisa. Uma ampla maioria de franceses votou contra Marine Le Pen (líder da extrema-direita da Frente Nacional). Nesse percentual há eleitores de Macron, mas também da direita, da esquerda, e não se sabe o que representa hoje a adesão ao presidente eleito e a seu programa. Mas ela certamente não está no nível de 66,1%. Ao mesmo tempo, ele é o presidente, tem uma verdadeira capacidade de impulsionar uma dinâmica, e os demais partidos políticos também têm dificuldades.
Ele não poderá governar por decretos, pois isso entraria violentamente em contradição com sua mensagem de restaurar a democracia e o diálogo social no país e de renovar a ideia de política na França. Ele não poderá fazer isso, sobretudo, em relação aos temas socioeconômicos.
A França deverá adiar mais uma vez a questão de seu déficit público, e forçosamente Macron será obrigado a anunciar más notícias aos franceses. Mesmo que a economia comece a registrar uma recuperação, o nível de déficit público do país é muito importante. Ele deverá atacar este problema rapidamente.

