MIAMI — Enquanto a população da Flórida foge para regiões mais ao norte do país para evitar o furacão Irma, os animais do zoológico de Miami ficam para trás. Mas seguros, garantem os administradores do parque, fechado desde quinta-feira para que os funcionários pudessem pôr em prática as medidas necessárias para enfrentar o ciclone.
— Provavelmente é a pergunta número um que nos fazem: meu Deus, quando vocês vão evacuar os animais? Nós nunca iremos evacuar os animais — comentou Ron Magill, diretor de comunicação do zoológico, em entrevista à NPR.
Em comunicado publicado no Facebook, o parque explicou os motivos. Os animais não são evacuados porque os furacões podem mudar de direção no último minuto, e existe o risco de transportá-los para locais ainda mais perigosos.
“Além disso, o estresse de mover os animais pode ser mais perigoso do que escondê-los da tempestade”, afirma o zoológico.
Os animais considerados perigosos, como os grandes felinos, foram colocados em seus abrigos noturnos, construídos de concreto e metal. “Esses animais sobreviveram ao Andrew sem ferimentos”. Os que não possuem estruturas seguras, como aves e guepardos, foram alocados temporariamente em edificações resistentes a furacões.
“Nós colocamos alimentos e água adicionais, nossos geradores foram testados e estão prontos. Além disso, guardamos todas as bicicletas e removemos os detritos”, informa o parque.
A Associação de Zoológicos e Aquários, que representa mais de 230 estabelecimentos nos EUA e em outros países, requer que todos os seus membros realizem um teste anual de resposta a desastres e sigam protocolos de segurança. As medidas são revisadas anualmente, e podem ser alteradas após episódios que apontem falhas.
Foi o que aconteceu no zoológico de Miami. Para enfrentar o Irma, o parque já reservou freezers e geladeiras, equipamentos que foram destruídos pelo furacão Andrew, em 1992. As aves também foram removidas do aviários: o Andrew matou cerca de 100 pássaros da instalação “Asas da Ásia”.
— Apesar de as redes do aviário serem testadas para suportar ventos de 240km/h, elas não foram construídas para suportar o impacto de um trailer que foi carregado pelos ventos e arremessado como um torpedo contra o aviário — contou Magill. — Para muitas pessoas, e estou falando por mim sobre o Andrew, o zoológico se tornou quase como um paraíso. Nós nos tornamos um zoológico melhor. E por mais ruim que essa tempestade se pareça, eu sei que vamos passar por ela.

