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Na Ucrânia dividida por conflito, crianças aprendem a arte da guerra

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KIEV — Em vez de nadar ou jogar futebol, centenas de crianças na Ucrânia dividida pela guerra passaram este verão portando fuzis Kalashnikov e dominando a arte da guerra. Enquanto o conflito mortal na Ucrânia do leste entra no seu terceiro ano, alguns pais estão ansiosos para se certificar que suas crianças estão preparadas para lutar contra rebeldes pró-Rússia.

Aproximadamente 10.000 pessoas foram mortas em combates entre separatistas apoiados pela Rússia e tropas do governo no leste da Ucrânia desde 2014. E, apesar de um cessar-fogo ter oficialmente entrado em vigor, civis e tropas militares continuam sendo feridos e mortos no dia-a-dia.

Membros do batalhão de voluntários Azov tem lutado na frente leste e se tornado reconhecidos por suas visões de extrema direita. Eles criaram um programa paramilitar para crianças com duração de duas semanas. Até o início de Agosto, mais de 850 crianças receberam treinamento em sete campos do Azov pelo país.

Sendo formalmente parte da Guarda Nacional Ucraniana, o Azov é um verdadeiro exército armado privado, que era originalmente financiado pelo oligarca Ihor Kolomoisky. Suas atuais fontes de renda são desconhecidas e o batalhão afirma ser mantido por doações privadas. Seus membros já enfrentaram numerosas acusações de abuso de direitos humanos na zona de conflito. Um relatório conjunto da Human Rights Watch com a Anistia Internacional no ano passado disse ter recebido alegações credíveis de tortura e “outros atrozes abusos” por parte de batalhões de voluntários, incluindo o Azov.

O treinamento, que foca na arte da guerra e em exercícios físicos, é contaminado com ideias nacionalistas.

“Ucrânia, santa mãe dos heróis, entre no meu coração!”, um grupo de 100 crianças vestidas em camuflado militar cantava numa noite recente, num campo fora de Kiev. Seus punhos descansavam sobre seus corações, enquanto a bandeira ucraniana era hasteada.

Líderes do Azov rejeitaram veementemente qualquer sugestão de que sigam ideais neonazistas. O emblema do grupo tem uma semelhança impressionante com o Wolfsangel, que foi amplamente utilizado pelas divisões alemãs nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Azov, no entanto, afirma que as letras "N" e "I" representam "ideias nacionais".

As visões de extrema direita do batalhão, no entanto, não assustam pais que normalmente pagam o equivalente a US$ 120 para os seus filhos passarem duas semanas com lutadores tatuados, correndo na floresta com rifles simulados e fazendo flexões.

"As crianças tornam-se mais fortes e mais disciplinadas aqui", diz Iryna Shvets, mãe de um menino de 13 anos que entrou para o campo fora de Kiev.

Muitos pais afirmam que se sentem bem sabendo que seus filhos estão bem equipados para a vida num país que está em guerra. Anton Kryuk, pai de um menino de 12 anos que estava no acampamento em julho, diz que espera que seu filho não tenha que lutar no leste.

"Mas até que essa loucura com a Rússia pare, ele deve saber como defender seu país", diz ele. "Nós só podemos confiar em nós mesmos".

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