IRBIL - A organização Human Rights Watch acusou nesta quarta-feira as forças de segurança do Iraque de realocar à força ao menos 170 famílias de supostos integrantes do Estado Islâmico a um “campo de reabilitação” fechado como forma de punição coletiva. O primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi anunciou vitória sobre o grupo jihadista em Mossul, encerrando três anos de controle jihadista sobre a cidade — considerada capital do califado autoproclamado pelo grupo no Iraque.
“Autoridades iraquianas não deveriam punir famílias inteiras por causa das ações de seus parentes”, afirmou Lama Fakih, vice-diretora para Oriente Médio na organização não-governamental. “Esses atos abusivos são crimes de guerra e sabotam os esforços para promover reconciliação em áreas tomadas pelo Estado Islâmico”.
O governo agora enfrenta a tarefa de prevenir ataques de vingança contra pessoas associadas ao Estado Islâmico que poderiam minar as tentativas de criar estabilidade a longo prazo no país.
“Os campos para as chamadas famílias do Estado Islâmico não tem nada a ver com reabilitação e, ao invés disso, são centros de detenção para adultos e crianças que não foram acusados por má-conduta”, afirma Fakih. “As famílias deveriam ser permitidas para ir livremente onde podem morar em segurança”.
As autoridades iraquianas abriram o primeiro dos campos de reabilitação em Bartalla, a leste de Mossul. A Human Rights Watch afirma que o propósito oficial do campo é permitir a reabilitação psicológica e ideológica.
“Deslocamentos forçados e detenções arbitrárias tem acontecido nas regiões de Anbar, Babil, Diyala, Salah al-Din e Nineveh, atingindo centenas de familías”, disse a HRW. “Forças de segurança e militares fizeram pouco para frear os abusos e, em alguns casos, participaram deles”.
A HRW afirmou que visitou o campo de Bartalla e entrevistou 14 famílias, cada uma com até 18 integrantes:
“Novos residentes afirmam que as Forças de Segurana Iraquiana trouxeram as famílias para o campo e que a polícia os detinha contra sua vontade por causa de acusações de terem parentes ligados ao EI”, informou. “Funcionários médicos no campo disseram que ao menos dez mulheres e crianças morreram em viagem ao campo ou já no local, principalmente devido a desidratação”.

