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Otimismo antichavista nas eleições regionais

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BUENOS AIRES — A oposição venezuelana encerrou a votação para eleger os 23 governadores do país ontem com a expectativa de alcançar uma participação entre 60% e 62% dos eleitores, o que poderia representar a vitória de seus candidatos em estados importantes como Miranda, Carabobo, Zulia e Anzoátegui. Em conversas informais, dirigentes de peso da Mesa de Unidade Democrática (MUD) afirmaram a analistas locais que dados preliminares indicavam um bom resultado para seus candidatos em vários estados, apesar dos diversos obstáculos impostos ao longo de todo o processo pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Já dentro do chavismo, o percentual de participação mencionado extraoficialmente era de em torno de 55%, abaixo da média histórica em eleições regionais (cerca de 60%). O nível de abstenção é crucial para governo e oposição: quanto menor for a participação, maiores serão as chances do governo de Nicolás Maduro de evitar um revés nas urnas.

— Os dados que estamos recebendo mostram que a participação poderia alcançar 62%, e a oposição, se isso se confirmar, conseguirá eleger governadores em vários estados, entre eles os de maior peso em termos econômicos e de população como Zulia e Miranda — disse ao GLOBO o analista Oswaldo Ramírez Colina, da ORC consultores.

Com a votação já encerrada, mas ainda sem dados oficiais do CNE, o chefe da campanha opositora, Gerardo Blyde, prefeito de Baruta, na Grande Caracas, evitou dar resultados mas disse que “minha expressão (de satisfação) diz tudo”. Atualmente, a oposição controla apenas três dos 23 estados do país. Este foi o primeiro teste eleitoral depois da onda de protestos contra o governo que deixou pelo menos 140 mortos, entre abril e agosto.

No caso de Miranda, governado nos últimos seis anos pelo ex-candidato presidencial Henrique Capriles, a situação se manteve tensa durante todo o dia. Os eleitores do estado foram alguns dos mais prejudicados pela mudança de centros de votação, uma armadilha do CNE que afetou cerca de um milhão de pessoas. Para minimizar o impacto da medida, a MUD colocou dezenas de ônibus à disposição dos eleitores para levá-los aos centros onde deviam votar. Em Miranda e outros estados também houve demora no início da votação, e a ação dos chamados coletivos (grupos armados do chavismo) foi intensa.

— O governo fez tudo o que esteve ao seu alcance para impedir uma derrota contundente. Tivemos ameaças, confusões para os eleitores, modificação de regras eleitorais e ativação de grupos violentos — lamentou Luis Vicente León, diretor da Datanálisis.

Para ele e muitos outros analistas, ontem existia, ainda, o risco de manipulação dos resultados.

— Está claro que se o CNE informar que o governo obteve 16 governos estaduais, isso será fraude — enfatizou Vicente León.

A lista de armadilhas do órgão eleitoral venezuelano no pleito regional de ontem foi enorme. Pela primeira vez, não foram eleitos, também, os integrantes das Assembleias Legislativas de cada estado. Esse Poder local continuará em mãos, na grande maioria dos casos, do chavismo.

Um dos grandes objetivos do Palácio de Miraflores ontem foi mostrar ao mundo que a Venezuela é um país democrático. Durante a votação, o presidente assegurou que “com os governos estaduais vamos consolidar a paz”.

— Devemos mostrar que somos um país democrático, porque disseram que somos uma ditadura. Não, somos um povo democrático, rebelde, com sentido de igualdade, de honra e de liberdade — disse Maduro.

Ontem, não houve graves incidentes violentos, como algumas pessoas temiam, mas sim a violência que já faz parte do dia a dia dos venezuelanos. Em vários centros de votação, os coletivos chavistas tentaram criar um clima de medo que ajudasse a elevar a abstenção.

— No momento em que votei, cerca de 150 motos de coletivos chavistas chegaram ao lugar para nos assustar. Mas todos ficamos na fila e votamos. Isso, em qualquer lugar do mundo, seria um escândalo — comentou Manuel Puyana, um dos diretores do jornal “Tal Cual”. — Se for uma eleição justa, sem fraude, a oposição deveria vencer em 14 ou 15 estados — enfatizou Puyana.

Ontem, para muitos venezuelanos foi confirmada a fraude na eleição para formar a polêmica Assembleia Nacional Constituinte (ANC), em 30 de julho passado. De acordo com o CNE, o governo obteve cerca de oito milhões de votos. Se a participação ficar em torno de 60%, isso significará que pouco mais de dez milhões de venezuelanos, entre chavistas e opositores, participaram da eleição.

— Que alguém me explique como conseguiram oito milhões de votos chavistas? — perguntou o diretor do “Tal Cual”.

Altos dirigentes da MUD afirmaram que a partir de hoje defenderão os votos opositores nas regionais e não permitirão uma nova fraude.

— Estamos preparados para denunciar e reagir diante de qualquer tentativa que pretenda modificar a vontade popular — disse o vice-presidente da Assembleia Nacional (AN), Freddy Guevara.

Já o presidente do Parlamento, Julio Borges, assegurou que “estas eleições custaram muito esforço, por isso temos de responder com força”.

— Não estamos, apenas, escolhendo governadores. Estamos reafirmando que a Venezuela está lutando para ser um país livre e democrático — frisou Borges.

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