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Paquistão recebe potências regionais para conversas sobre Irã com foco no Estreito de Ormuz

Por Ariba Shahid e Jonathan Spicer e Mubasher Bukhari

ISLAMABAD/ISTAMBUL, 29 Mar (Reuters) - O Paquistão recebeu neste domingo representantes da Turquia, Egito e Arábia Saudita como parte de seus esforços para intermediar o fim do conflito envolvendo o Irã. As discussões iniciais se concentraram em propostas para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação, disseram fontes familiarizadas com o assunto.

Os ministros das Relações Exteriores das três potências regionais desembarcaram em Islamabad para as negociações, em meio a um alerta do Irã aos Estados Unidos contra o lançamento de um ataque terrestre e contínuos confrontos entre Irã, EUA e Israel.

Os países reunidos no Paquistão apresentaram propostas a Washington relacionadas ao tráfego marítimo e à reabertura do Estreito de Ormuz, disseram à Reuters cinco fontes familiarizadas com o assunto, como parte de esforços mais amplos para estabilizar os fluxos de navegação.

O Estreito de Ormuz era anteriormente uma via de passagem para cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito, mas o Irã efetivamente interrompeu o fluxo de navios por ali em resposta aos ataques aéreos dos EUA e de Israel, que começaram há um mês.

PROPOSTAS PARA REABERTURA DE ORMUZ

O Paquistão, que assim como a Turquia faz fronteira com o Irã, tem aproveitado seus laços estreitos tanto com Teerã quanto com Washington para se tornar um canal diplomático fundamental no conflito, enquanto Ancara e Cairo também têm atuado.

Uma fonte do Paquistão afirmou que propostas, inclusive do Egito, foram encaminhadas à Casa Branca pelo Paquistão antes da reunião de domingo e que incluíam estruturas de taxas semelhantes às do Canal de Suez.

Outras duas fontes paquistanesas disseram que a Turquia, o Egito e a Arábia Saudita poderiam formar um consórcio para gerir o fluxo de petróleo através do estreito e pediram ao Paquistão que participasse.

As fontes disseram que a proposta de um consórcio de gestão foi discutida com os EUA e o Irã. A primeira fonte paquistanesa afirmou que o chefe do exército do país, Asim Munir, estava em contato regular com o vice-presidente dos EUA, JD Vance.

Os ministérios das Relações Exteriores do Egito e do Paquistão não responderam ao pedido de comentários. O gabinete de imprensa do governo saudita e a Casa Branca também não responderam imediatamente ao pedido de comentários.

Uma fonte diplomática turca afirmou que a prioridade de Ancara era garantir um cessar-fogo.

"Garantir a passagem segura dos navios poderia servir como uma importante medida para gerar confiança nesse sentido", disse a fonte, que pediu anonimato.

Mais cedo neste domingo, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, realizou reuniões bilaterais separadas com seus homólogos turco e egípcio, enfatizando o diálogo e o engajamento diplomático contínuo, informou o Ministério das Relações Exteriores.

Em outra declaração, Dar afirmou em um post no X que o Irã concordou em permitir a passagem de mais 20 navios com bandeira paquistanesa pelo Estreito de Ormuz.

(Reportagem de Ariba Shahid e Mubasher Bukhari em Islamabad e Jonathan Spicer em Istambul; reportagem adicional de Mohamed Ezz no Cairo, Maha El Dahan em Dubai e Saad Sayeed em Bangkok)

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