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"Rainha da Cetamina" é condenada a 15 anos de prisão por morte do astro de "Friends" Matthew Perry

Reuters
"Rainha da Cetamina" é condenada a 15 anos de prisão por morte do astro de "Friends" Matthew Perry
"Rainha da Cetamina" é condenada a 15 anos de prisão por morte do astro de "Friends" Matthew Perry

Por Lisa Richwine e Steve Gorman

LOS ANGELES, 8 Abr (Reuters) - Uma traficante conhecida como "Rainha da Cetamina" foi condenada nesta quarta-feira a 15 anos de prisão por envolvimento com a overdose fatal do astro de "Friends" Matthew Perry, incluindo seu papel no fornecimento da dose do poderoso anestésico que matou o ator.

Jayvee Sangha, que admitiu ter administrado um "esconderijo" de narcóticos ilegais em sua casa no bairro de North Hollywood, em Los Angeles, declarou-se culpada em setembro de cinco acusações criminais relacionadas à morte de Perry em 2023, aos 54 anos.

Sangha, de 42 anos, que tem dupla cidadania norte-americana e britânica, enfrentava uma possível sentença de até 65 anos de prisão.

A juíza Sherilyn Garnett impôs uma pena de 15 anos, conforme recomendado pelos promotores federais.

Sangha, vestindo roupas bege de presidiária para a audiência em um tribunal federal de Los Angeles, expressou remorso por seu papel na morte de Perry em uma declaração que fez momentos antes de a sentença ser pronunciada.

"Assumo total responsabilidade por meus atos. Foram escolhas horríveis que acabaram se revelando trágicas", disse Sangha à juíza.

A sentença de Sangha foi mais severa do que a dada a dois médicos condenados anteriormente no mesmo caso. Dois outros co-réus condenados anteriormente -- outro traficante e o antigo assistente pessoal de Perry -- ainda não foram sentenciados.

A defesa havia solicitado à juíza que limitasse a sentença de Sangha ao tempo já cumprido desde sua prisão em agosto de 2024, cerca de um ano e oito meses.

JUÍZA REJEITA PEDIDO DE CLEMÊNCIA

O advogado de Sangha argumentou que ela sofria de seus próprios problemas de abuso de substâncias, mas permaneceu sóbria desde sua prisão e demonstrou vontade de melhorar sua vida e a vida de outras pessoas, incluindo seus esforços para organizar e liderar reuniões semanais dos Narcóticos Anônimos.

Mas a juíza disse que levou em conta o fato de que Sangha continuou a vender medicamentos ilegais por seis meses após a morte de Perry, demonstrando falta de remorso na época.

Perry foi encontrado por sua assistente pessoal flutuando de bruços e sem vida em uma banheira de hidromassagem em sua casa em Los Angeles em 28 de outubro de 2023.

Um relatório de autópsia concluiu que Perry morreu devido aos "efeitos agudos da cetamina", que combinados com outros fatores fizeram com que o ator perdesse a consciência e se afogasse.

A cetamina é um anestésico de ação curta, mas potente, com propriedades alucinógenas, que às vezes é prescrito para tratar depressão e outros distúrbios psicológicos. Ela também ganhou popularidade pelo abuso como droga ilícita para festas.

DÉCADAS DE ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

Perry reconheceu publicamente décadas de abuso de substâncias que coincidiram com o auge de sua fama interpretando o irônico e charmoso Chandler Bing na comédia televisiva "Friends", sucesso dos anos 1990.

Sua morte ocorreu um ano após a publicação do livro de memórias de Perry, "Friends, Lovers, and the Big Terrible Thing" (Amigos, Amantes e a Grande Coisa Terrível), que narrava as crises de dependência de analgésicos e álcool que, segundo ele, estiveram perto de acabar com sua vida mais de uma vez.

Nos meses anteriores à sua morte, Perry alegou ter recuperado a sobriedade. Mas, de acordo com autoridades, Perry estava se submetendo a infusões de cetamina supervisionadas por médicos para tratar depressão e ansiedade em uma clínica, onde se tornou viciado na droga.

Quando os médicos da clínica se recusaram a aumentar a dosagem, Perry recorreu a fornecedores ilegais dispostos a explorar sua dependência da droga para benefício financeiro próprio, disseram as autoridades.

Em poucas semanas, ele morreu de uma overdose de cetamina fornecida por Sangha, que era conhecida por seus clientes nas ruas como a "Rainha da Cetamina".  Sangha reconheceu ter vendido um total de 51 frascos de cetamina a um traficante intermediário, Erik Fleming, que por sua vez vendeu as doses a Perry por meio do assistente pessoal do ator, Kenneth Iwamasa.

Segundo os promotores, foi Iwamasa quem mais tarde injetou em Perry pelo menos três doses de cetamina dos frascos que Sangha havia fornecido, resultando na morte do ator.

Como parte de seu acordo com os promotores, Sangha admitiu que estava ciente de que os frascos que vendeu a Fleming eram destinados a Perry. Ela também admitiu ter vendido cetamina a uma pessoa em agosto de 2019, que morreu horas depois de uma overdose.

O padrasto de Perry, o jornalista Keith Morrison, relembrou como o ator trouxe alegria para sua família e escreveu um livro best-seller e uma peça teatral, mesmo enquanto lutava contra o vício.

"Todas essas possibilidades morreram com ele. Ele deveria ter tido outro ato, mais dois atos", disse Morrison em uma declaração de impacto antes do anúncio da sentença.

Fleming, Iwamasa e os dois médicos acusados -- Mark Chavez e Salvador Plasencia -- todos se declararam culpados de crimes federais. Plasencia foi condenado a 2 anos e meio de prisão. Chavez pegou oito meses de confinamento em casa.

(Reportagem de Lisa Richwine em Los Angeles; reportagem adicional de Steve Gorman em Los Angeles)

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