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Reformistas vencem também pleito em Teerã

TEERÃ — Os reformistas conseguiram uma nova vitória nas eleições de sexta-feira no Irã, após a reeleição do presidente Hassan Rouhani. Neste domingo, a imprensa anunciou que, depois de 14 anos de domínio dos conservadores em Teerã, o grupo liderado por Mohsen Hashemi Rafsanjani, filho do ex-presidente moderado Akbar Hashemi Rafsanjani, venceu as eleições municipais da capital iraniana, conquistando 21 cadeiras no Conselho Municipal.

A saída dos conservadores da administração de Teerã é um revés severo para o atual prefeito, Mohamad Bahger Ghalibaf, que abdicou de sua candidatura à Presidência nas vésperas do pleito para apoiar o conservador Ebrahimm Raisi, derrotado amplamente por Rohani.

Ghalibaf governou durante 12 anos a capital iraniana, onde substituiu o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, prefeito entre 2003 e 2005, antes de ser presidente por dois mandatos. Com a vitória de Rafsanjani, os reformistas ocupam duas posições de peso no país — além da Presidência, que já estava sob controle do grupo, o governo da capital.

Por sua vez, a linha-dura reagiu à contundente derrota nas eleições e já deu indícios de que não vai facilitar a vida do reeleito Rouhani, que obteve 57% dos votos já no primeiro turno, garantindo seu segundo mandato. Em sua plataforma, o presidente prometeu levar adiante a ampliação de liberdades civis e a abertura ao mundo exterior, iniciada com o acordo nuclear alcançado com as principais potências mundiais em 2015, levando ao relaxamento de sanções e ao descongelamento de bilhões de dólares bloqueados no exterior.

Uma coalizão de partidos conservadores e órgãos clericais que apoiaram Raisi emitiu uma declaração dizendo que as eleições “não foram o fim, mas apenas o início”. “Fracassamos em nosso primeiro passo para formar um governo. Mas 16 milhões de votos mostram uma verdadeira demanda por mudança”, afirmou a Frente de Forças da Revolução Islâmica.

A mídia linha-dura também expressou descontentamento sobre o resultado das urnas. O diário “Kayhan”, cujo chefe é nomeado pelo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, disse que Raisi teria ao menos dobrado seus votos se tivesse tido a cobertura de que Rouhani desfruta como presidente. E o site Ammar, que reflete as opiniões da milícia Basij, questionou: “Hassan Rouhani pode por um mês destruir o Judiciário, a Guarda Revolucionária e os basiji e ninguém pode dizer nada a ele?”.

O próprio rival derrotado por Rouhani, o juiz linha-dura Ebrahim Raisi — um protegido de Khamenei — disse em seu primeiro pronunciamento após as eleições que os 16 milhões de eleitores que votaram nele não podem ser ignorados.

“Vou continuar minha luta contra a corrupção e a desigualdade e meus esforços para solidificar os valores da Revolução Islâmica.”

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