BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, proibiu eventos públicos e recomendou que as pessoas saiam o mínimo possível de casa e adotem o trabalho remoto. Quem tiver sintomas de gripe (mesmo leves, como tosse ou febre) deve ficar em auto-isolamento por 14 dias, e idosos e doentes devem cumprir quarentena por quatro meses. Não há prazos definidos para as restrições, que representam uma mudança de direção na abordagem britânica para combater o novo coronavírus, mas elas devem durar no mínimo um mês, segundo o principal conselheiro científico de Boris, Patrick Valance. Para garantir as medidas, o governo prepara legislação para aumentar seu poder de controle sobre as pessoas. Policiais poderão deter quem considerarem que está ameaçando outros de contágio e quem estiver se colocando em risco, sob pena de multa de mil libras (cerca de R$ 6.000) e até prisão. O primeiro-ministro disse que pessoas em isolamento devem "manter distância dos outros, fazer exercícios e pedir que façam suas compras". "Sem uma ação drástica, os casos podem dobrar a cada cinco dias", afirmou o primeiro-ministro. "Chegou a hora de evitar todo contato não essencial e viagens não essenciais." Desde a chegada do coronavírus ao país, Boris vinha evitando medidas mais drásticas e seguindo a orientação de Valance, que defende que a população possa ser exposta ao vírus e desenvolver imunidade, o que deixaria o país mais seguro no longo prazo. A mudança de rumo do governo britânico começou a aparecer na noite de domingo (15), quando o governo admitiu a possibilidade de apertar as restrições a circulação e aglomerações. Um relatório do Public Health England obtido pelo Guardian diz que 80% dos britânicos podem contrair o vírus se a política britânica for mantida, com até 8 milhões de doentes necessitando de internação. "Se a taxa de mortalidade ficar em torno de 1%, como têm estimado especialistas, o Reino Unido pode chegar a 531 mortos", afirma o documento. A organização estima ainda que a crise pode durar até o ano que vem, com uma redução de novos casos no verão, mas uma recidiva a partir do outono. O governo britânico deve anunciar, na tarde de segunda (16), a proibição de reuniões com mais de 500 pessoas e vai propor que a paralisação das escolas na Páscoa passe de duas para quatro semanas. O Reino Unido é o único dos maiores países europeus que ainda mantém escolas abertas, e o governo já declarou que suspender aulas é uma das últimas medidas a tomar. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, se reuniu nesta segunda com presidentes de grandes companhias para tentar reforçar a produção de equipamentos de ventilação, necessários para os cerca de 5% de casos mais graves de doença, em que a capacidade de respiração é afetada.