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Taxas dos DIs são impulsionadas por exterior e noticiário sobre Flávio Bolsonaro

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 15 Mai (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira com altas firmes, próximas de 20 pontos-base nos vencimentos mais longos, influenciadas pelo avanço forte dos rendimentos dos Treasuries no exterior e pelo mal-estar com o noticiário envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).  

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2028 estava em 14,14%, em alta de 16 pontos-base ante o ajuste de 13,981% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,295%, com elevação de 18 pontos-base ante o ajuste de 14,114%.

No acumulado da semana, as taxas para janeiro de 2028 e janeiro de 2035 subiram 53 e 58 pontos-base, respectivamente.   

A continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte, impulsionou o preço do barril de petróleo Brent nesta sexta-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando. 

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã não tem "nenhuma confiança" nos EUA e se interessa em negociar com Washington somente se for sério.

Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries tiveram altas fortes, com o mercado precificando a possibilidade de juros maiores nos EUA para conter a inflação gerada pela guerra. Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 14 pontos-base, a 4,595%.

“Nesta semana, os leilões do Tesouro americano mostraram demanda mais fraca dos investidores, pressionando os rendimentos das Treasuries”, pontuou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset. 

“O cenário continua sendo influenciado pelas preocupações inflacionárias, impulsionadas principalmente pelos preços mais elevados de energia, já refletidos nos dados de inflação divulgados ao longo da semana tanto nos EUA quanto no Brasil”, acrescentou. 

No Brasil, a curva de juros encontrou suporte ainda nos desdobramentos do escândalo que liga Flávio Bolsonaro a Vorcaro, conforme profissionais consultados pela Reuters.   

Na quarta-feira, uma reportagem do site The Intercept Brasil afirmou que Flávio negociou com o banqueiro preso Daniel Vorcaro R$134 milhões para financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio nega ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para o filme, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Procurada, a defesa de Vorcaro não quis comentar a reportagem do Intercept.

No mercado, a percepção mais geral é de que a ligação de Flávio com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula é vista por agentes do mercado como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.

Para piorar o cenário para a oposição, a Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira mandados de busca e apreensão, em caso relacionado à refinaria Refit, contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro -- também filiado ao PL e aliado de Flávio.

Com o noticiário político no foco das atenções, dados do setor de serviços publicados mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram deixados em segundo plano. A instituição informou que o volume de serviços no Brasil recuou em março 1,2% na comparação com o mês anterior. 

Essa foi a queda mais forte desde novembro de 2024 (-1,4%) e marcou o pior resultado para o mês em cinco anos. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume apresentou alta de 3,0%.  Os resultados foram bem piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,1% na comparação mensal e de alta de 4,5% na anual.

(Edição de Pedro Fonseca)

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