CARACAS — O clima tenso dentro da Assembleia Nacional (AN) fez com que deputados e militares da Guarda Nacional trocassem empurrões na noite de terça-feira, depois que militares entraram no Parlamento levando caixas com o logotipo do Conselho Nacional Eleitoral, enquanto deputados estavam em sessão. Do lado de fora, coletivos armados lançaram artefatos explosivos impedindo a saída de um grupo de deputados, que teriam ficado cercados por cerca de quatro horas.
Os legisladores opositores denunciaram que os militares não permitiram que as caixas fossem abertas, o que gerou o confronto. A sessão foi suspensa pelo presidente da AN, Julio Borges. Enquanto o confronto ocorria, partidários de Maduro lançaram fogos de artifício nos jardins do Parlamento e gritaram palavras de ordem contra os deputados opositores.
— Isto que aconteceu hoje não nos desanima, e sim nos dá mais força para seguir lutando por um país democrático. Isto se chama Maduro, o mesmo que disse que se os votos não servem, servem as balas — declarou o presidente da Câmara, Julio Borges.
O parlamentar se referia à advertência de Maduro, que na noite de terça-feira disse que o chavismo defenderá a chamada Revolução Bolivariana inclusive com as armas. Maduro enfrenta desde 1º de abril uma onda de protestos que exige sua saída, e que já deixou 76 mortos.
— Se a Venezuela for mergulhada no caos e na violência, e for destruída a revolução bolivariana, iremos ao combate (...) e o que não se pode com os votos tomaremos com as armas — declarou o presidente.
— O que está acontecendo hoje na Assembleia Nacional é a representação de Nicolás Maduro, que é a violência — disse Borges, que acusou o chefe da Guarda de se comportar de maneira agressiva contra deputados.

