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Não são só números: faltam reportagens contra o abuso sexual de crianças

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Por Ana Celia Ossame
16/05/2026 00h51 — em Ombudsman

Alguns números de ocorrências destinados a marcar a celebração do dia 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, já estão nas páginas da mídia antes mesmo da segunda-feira (18) chegar.

A cada ano, o Dia 18 de Maio é motivo de grande mobilização para lembrar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no país.

Mas é preciso ir além desses números e contar histórias, protegendo sempre a identidade das vítimas, porque isso faz com que muitas delas se identifiquem numa situação, entendam o que estão passando e peçam ajuda.

Embora repetitivos, os números de ocorrências divulgadas pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) são alarmantes.

Entre janeiro e abril deste ano, o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes em todo o país. Esse número representa um aumento de 49,48% em relação ao mesmo período do ano passado.

Desse total, 7,4 mil denúncias se referem a casos ocorridos na casa da vítima ou do suspeito. O levantamento também aponta 19,1 mil violações relacionadas à violência sexual. Entre as categorias informadas estão 1.339 denúncias e 1.361 violações de exploração sexual; 5,6 mil denúncias e 7,8 mil violações de estupro; 1,2 mil denúncias e 1,3 mil violações de abuso sexual físico; e 2,7 mil denúncias e 2,7 mil violações de violência sexual psíquica.

Os casos de estupro foram mais de 1,7 mil denúncias e 2,4 mil violações; os de abuso sexual físico, 469 denúncias e 476 violações; e os de violência sexual psíquica, 861 denúncias e 869 violações, totalizando 2,1 mil denúncias e 6,1 mil violações.

A internet também aparece como ambiente de preocupação. Nos quatro primeiros meses do ano, foram registradas 610 denúncias e cerca de 1 mil violações sexuais ocorridas em ambiente virtual.

No Amazonas, a Operação Caminhos Seguros, deflagrada desde o último dia 5 pelo Governo Federal em parceria com o estadual, já prendeu mais de 20 pessoas na capital e em municípios do interior do Amazonas. E deteve cerca de 90 pessoas, desde o início da operação sob suspeição.

O Portal registrou:https://www.portaldoholanda.com.br/policial/mega-operacao-prende-20-abusadores-de-criancas-no-amazonas-casos-de-violencia-extrema.

Houve mandados cumpridos em Maués, Itacoatiara, Tonantins, Benjamin Constant, Alvarães e São Sebastião do Uatumã, informou a delegada Mayara Magna, da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Segundo ela, o objetivo principal é a conscientização, mas com tolerância zero para violações graves.

Entre os casos identificados, há situações de abuso envolvendo familiares próximos das vítimas, registros de aliciamento de adolescentes por meio de aplicativos de mensagens, prisões de acusados de crimes sexuais já investigados por reincidência e pessoas em liberdade provisória, como foi o caso de um homem que tentou atacar uma adolescente na Avenida Nilton Lins, no bairro Parque das Laranjeiras, na zona centro-sul.

O Portal divulgou ainda nesta sexta-feira o caso de uma criança de apenas 5 anos de idade no município de Amaturá que, com escuta especializada, revelou o abuso.https://www.portaldoholanda.com.br/policial/crianca-de-5-anos-presencia-crime-e-ajuda-a-policia-a-prender-abusador-em-amatura.

Mas é preciso ir além e dar voz a essas vítimas. Elas não podem ser consideradas só os números. Guardam histórias, dramas e tristezas que devem ser compartilhadas não para reviverem a dor, mas para mostrar o tamanho dessa violência e os efeitos dela.

Essa é uma atribuição que não pode ser negligenciado pelos jornalistas. Muitos meninos e meninas são vítimas e nem conseguem ter consciência disso, mas quando ouvem ou veem na mídia uma história como a deles procuram ajuda e denunciam.

E para registrar, o dia 18 de maio foi escolhido para ser o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em memória ao caso da menina Araceli Crespo, que foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no dia 18 de maio de 1973 – quando tinha apenas 8 anos, em Vitória (ES). Os acusados desse crime nunca foram punidos, mas 53 anos depois a imprensa e a população em geral podem fazer o seu papel de denunciar para que cada vez menos agressores e abusadores de crianças escapem das penas legais.

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Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].

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