Durante Investigações da Operação Echelon, em 7 outubro de 2017, foi realizada a interceptação dos telefones de membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). A Folha de São Paulo teve acesso aos áudios de uma uma conferência entre membros da facção, em que é decidido o destino de um integrante da organização rival Comando Vermelho, capturado em Campo Grande (MS). Na conferência, os líderes do PCC (alguns detidos em presídios com bloqueadores de celulares) agem como juízes, ao dar a “sentença” do integrante da organização rival. E são específicos: "Picotar é o de praxe, meu mano, se caso der. Se não der, só arranca a cabeça ali, tá tranquilo." Na denúncia do Ministério Público de São Paulo constam vários flagrantes de “sessões de julgamento” do PCC realizadas em todo o país.
Desde o segundo semestre de 2016, as duas maiores facções criminosas do Brasil entraram em guerra pela posse das principais rotas de tráfico de drogas e da massa carcerária de todo o país.
Os alvos preferenciais dos julgamentos do PCC, descritos na denúncia da Operação Echelon são membros do Comando Vermelho. A ordem é torturar durante um interrogatório, com o objetivo de obter informações sobre membros da facções rivais,. Após isso, o torturado é morto e fotos e vídeos são enviados para a chefia da facção, para demonstrar o “serviço cumprido”.
Rudnei da Silva Rocha, conhecido como Babidi, foi torturado por 2 horas, sob ameaça de morte ele teria que entregar informações sobre seus comparsas. Uma noite depois, em uma área de mato, na região oeste da capital Sul-mato- grossense, o corpo dele foi encontrado enrolado em um colchão, com marcas de tortura e decapitado.

