Em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, a presidente lembrou que a espionagem do governo norte-americano monitorou comunicações dela, além de outros chefes de Estados, como a primeira-ministra alemã, Angela Merkel. Para a petista, um marco "multilateral" para a "governança internacional" da internet é uma forma de garantir a "efetiva proteção" de dados e a "privacidade dos cidadãos e das empresas". "Para impedir qualquer argumentação de combate ao terrorismo, que não cabe nem no meu caso e acredito que não caiba também no caso da violação da primeira-ministra Angela Merkel, impedir que isso seja usado como um álibi para a guerra cibernética", disse.
Dilma acredita que "crescentemente" haverá uma reação internacional à espionagem norte-americana porque "nenhuma nação democrática vai admitir essa quebra da soberania, essa violação dos direitos humanos, civis de sua população". De acordo com a presidente, é "isso que se faz" por meio dos serviços secretos dos EUA. E, sem especifica quais, disse que o Brasil tomará "uma série de medidas" contra a prática.
No mês passado, as denúncias de espionagem levaram Dilma a cancelar visita oficial aos Estados Unidos e a presidente também usou o tema em seu discurso na abertura da reunião do G20 na Organização das Nações Unidas (ONU).
A presidente usou a proposta de marco civil da internet que tramita no Congresso brasileiro como referência para a neutralidade e a inviolabilidade de dados na internet porque, para Dilma, a rede é "essencial no que se refere à construção da democracia no mundo". "Esse marco nosso mostra claramente qual a posição do Brasil. Defende uma internet aberta, democrática, participativa, neutra. Ou seja, sem restrições políticas, comerciais ou religiosas de qualquer natureza. Ninguém pode alegar qualquer restrição e tentar interferir na internet. É um processo que envolve uma engenharia da internet internacional que permita que a gente garanta esse espaço democrático a todos os cidadãos do mundo."

