RIO - “Lamento informar ao amigo que entreguei o cargo de porta-voz da Intervenção Federal no dia de hoje. Agradeço a atenção e a gentileza a mim dispensadas”. A nota curta, distribuída na tarde desta segunda-feira, marcou a saída do coronel Roberto Itamar Cardoso Plum, de 60 anos, do cargo que ocupava desde fevereiro deste ano. O resumido comunicado chegou aos amigos no mesmo momento em que forças federais tomavam os complexos da Penha, Alemão e Maré, numa megaoperação que deixou sete mortos (dois militares e cinco suspeitos), 36 pessoas presas e 24 armas apreendidas.
A saída de Itamar, segundo amigos e militares ouvidos pelo GLOBO, aconteceu depois de um desgaste funcional com o interventor federal, general Walter Souza Braga Netto, e atritos com oficiais da cúpula da Intervenção Federal. Na raiz, o crescimento das críticas na população e nos meios de comunicação aos poucos resultados das ações conjuntas das forças federais no Rio.
É a segunda baixa em menos de uma semana nos chamados postos-chaves da Intervenção Federal. Na semana passada, o subsecretário de Inteligência de Segurança, delegado federal Fábio Galvão, foi exonerado pelo general Richard Nunes, secretário de Segurança e homem de confiança de Braga Netto. No lugar de Galvão, assume o coronel da reserva do Exército, Augusto Cesar Naylor. O delegado federal também enfrentava desgastes na função desde que foi contrário à nomeação do delegado Rivaldo Barbosa para o cargo de Chefe de Polícia. Já para a vaga de Itamar, ainda não foi anunciado um nome.
Flamenguista, amante do rock do Skank do mineiro Samuel Rosa e do samba do padre Omar, reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado, o coronel Itamar cumpriu carreira militar por mais de 44 anos, passando por vários postos e comando no Exército até entrar para a reserva em 2011, nos Jogos Mundiais Militares. A partir daí desempenhou várias funções no Exército: foi chefe da assessoria de imprensa do Comando Militar do Leste (CML), supervisor de Gestão e Informação da Autoridade Pública Olímpica (APO). Na Bolívia, chegou a trocar passes numa disputada pelada com o presidente Evo Morales. Na época, entre 2006 e 2008, Itamar era o adido do Exército junto à Embaixada do Brasil naquele país.

