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Secretário Richard Nunes rebate críticas sobre intervenção: ‘Não há sequer um plano nacional de segurança’

RIO - Nessa terça, às vésperas da data em que a intervenção federal na segurança do Rio vai completar seis meses (dia 16), o secretário de segurança, general Richard Nunes fez um balanço da operação até aqui, segundo ele positivo. Além de detalhar números conquistados, Nunes fez questões de rebater críticas, como a alardeada demora para se elaborar um plano de ação, enquanto não existe nem um plano nacional de segurança pública. Sobre as declarações recentes do ministro Raul Jungmann, que deseja federalizar a investigação do caso Marielle, o general não foi assertivo, mas respondeu não ver problemas, pois já há integração com a Polícia Federal.

— Muitos especialistas nos criticaram, mas é preciso lembrar que não há sequer um plano nacional de segurança pública nesse país. E nós entregamos um em maio — afirmou Nunes, que lembrou ainda os problemas financeiros do Rio. — Não poderíamos aumentar efetivo ou criar despesa. Nosso trabalho está duramente afetado pelo regime de recuperação fiscal do estado.

A fala do general ocorreu durante o seminário Segurança e Normalidade das Eleições, promovida pelo TRE-RJ. Apesar do foco no trabalho a ser realizado durante a campanha e o pleito, o general realizou um recorte da trajetória da intervenção federal até aqui. Na sua opinião, o balanço é “altamente favorável”, já que “quase todas as metas foram alcançadas”.

Entretanto, os resultados dependem de variáveis burocráticas, normalmente a cargo do Legislativo. Nunes lembrou que somente no mês passado o Senado aprovou a Medida Provisória que alterou a Lei do Orçamento e criou cargos e destinação de recursos para a intervenção.

— Não aplicamos recursos ainda porque estamos cumprindo a Lei de Licitações. Não recebemos talão de cheque para sair comprando viatura e arma em loja, demanda todo um processo licitatório. Os resultados virão em médio e longo prazo, encontramos a Polícia Militar e a Polícia Civil totalmente desestruturadas, em péssimas condições de trabalho. Foi muito discurso e pouco recurso — disse Nunes, que diz ser injusto considerar essa semana como o marco de seis meses da intervenção. — 16 de agosto marca seis meses do decreto, mas eu só começo a contar um mês depois, quando puder nomear os novos chefes da polícia e de fato passei a comandar.

No evento, o general adiantou alguns . Destaca-se a queda de 29% do número de roubos de carro, em comparação com julho do ano passado. Foram 5328 ocorrências em 2017, e 3518 no último mês. Também houve quedas nos roubos de rua, de carga e latrocínios. Já os homicídios dolosos subiram, de 374 para 408, em um ano.

Outro ponto relevante da apresentação do general foi o processo de rearticulação das UPPs, que vai “trazer de volta mais de três mil policiais”, segundo Nunes. Ele explicou que não se trata da extinção das UPPs, mas sim de suas reconfigurações, de forma a tornar mais efetivo o trabalho de patrulhamento. O principal problema, disse, era que os agentes de UPP possuíam “treinamento sumário”, apenas de polícia de proximidade, e não sabiam agir em confrontos. Foi feito, então, treinamento e reciclagem do efetivo. Um exemplo dado foi na área do 18ºBPM, onde fica a Cidade de Deus.

— A UPP da Cidade de Deus servia para nada, só agentes defendendo containers. A PM virou vítima de uma desfuncionalidade, inclusive hierárquica com a UPP. Como se patrulha uma área grande como do 18ºBPM em que há uma UPP comandada por um oficial de patente inferior, às vezes com efetivo maior, mas que não presta contas ao comandante do batalhão? Não há intervenção que resolva. As rearticulações da Cidade de Deus permitiram a instalação de uma Companhia Destacada na Praça Seca. Agora vamos ao Méier fazer o mesmo.

Recentemente, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann afirmou que deseja federalizar a investigação do caso Marielle. Nessa segunda, ele afirmou que já existe um levantamento da equipe que participaria da força-tarefa. Questionado sobre isso, Nunes minimizou uma suposta mudança no comando da investigação, mas destacou que já existe integração com a Polícia Federal.

— O caso Marielle é muito complexo, teve tudo a ver com o seu trabalho político e o grupo a qual ela pertencia. A PF tem cooperado, até porque estamos integrados, como na investigação da munição por exemplo. O diálogo é permanente e o trabalho de inteligência integrado. Não vejo problema nisso — explicou o general, que criticou o vazamento de pontos da investigação, e de disse à disposição da família das vítimas.

Nessa terça, familiares de Marielle e a Anistia Internacional entregaram um ofício ao general, na sede da secretaria, no prédio da Central do Brasil. Cópias do documento serão entregues ao ministro da Justiça, Torquato Jardim, e ao interventor, general Braga Netto, entre outras autoridades. Nunes disse que vai tentar marcar uma audiência com os parentes.

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