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Paratleta do Cavalão ganha três medalhas em competição mundial

NITERÓI - Nascido e criado no Morro do Cavalão, o paratleta Pedro Neves, de 40 anos, ganhou três medalhas na 1ª edição dos Jogos Parapan-Americanos Universitários, realizada em São Paulo, mês passado. Ele conquistou medalha de ouro no salto em distância e duas de prata no arremesso de peso e no lançamento de dardo. Essas medalhas chegam à coleção do esportista, que soma mais de 130 ao longo de 14 anos de trajetória.

Pedro tem ainda importantes títulos na carreira, como campeão paralímpico pan-americano no salto em distância em Toronto (2015), no Canadá, batendo recorde nacional; medalha de ouro em salto em distância e arremesso de peso nos Jogos Universitários Paralímpicos (2017); e medalha de ouro em salto em distância e lançamento de dardo nos Jogos Universitários Paralímpicos este ano.

Para o atleta, os títulos e medalhas coroam uma carreira baseada no esforço e na superação. Ainda na gestação, a mãe de Pedro teve um problema de saúde e ele teve paralisia cerebral, o que resultou na atrofia do braço e da perna direita. Caçula, perdeu a mãe quando tinha apenas 2 anos e foi criado, com seu irmão mais velho e cinco primos, por uma tia. O pai, apesar de presente, não tinha condições de sustentar duas crianças. Passou a infância e a adolescência cercado pela violência da cidade. Perdeu muitos amigos para o crime e tem consciência que poderia ter sido mais um se não fosse o esporte em sua vida:

— Vi muitos amigos matando e morrendo. Provavelmente teria sido um deles.

Com 18 anos, começou a trabalhar como office-boy na Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef) e viu ali a chance de mudar de vida. Pedro foi chamado pelo técnico de atletismo da Andef, Pedro Teixeira, para um teste. E foi assim, aos 26 anos, que iniciou a carreira. Em 2007, participou da sua primeira competição, na qual garantiu três medalhas de ouro de uma só vez — nos 100, 200 e 400 metros, ganhando o título de atleta revelação. Hoje, Pedro ainda mora na comunidade em que nasceu, é casado, tem duas filhas, de 17 e 19 anos, e dois netos, um de 1 ano e outro de 2 meses, e sonha em criar um projeto social esportivo para crianças que não têm oportunidade e correm o risco de se envolver com o crime:

— Quero servir de exemplo para as crianças do Brasil todo. Nasci minoria: preto, pobre e favelado, e consegui chegar até aqui com muita garra, otimismo, fé e determinação.

Pedro se divide entre o trabalho de assistente administrativo, ao qual se dedica segunda, quarta e sexta pela manhã, os treinos, que acontecem diariamente durante quatro a seis horas, e a faculdade de administração, no Centro Universitário Celso Lisboa, instituição que ele representou nos Jogos Parapan-Americanos Universitários.

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