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Depois de muito chá de cadeira, campeão de jogo de dança virtual

RIO - Diego dos Santos nunca fez aulas de dança, e, nas festas da adolescência, preferia ficar num cantinho, sentado. Com 28 anos, o jovem tímido, nascido e criado em Cabuçu, bairro de Nova Iguaçu, onde vive com os pais e o irmão caçula, continua avesso às pistas de dança. Nada de funk, forró ou samba. Mas se é jogo eletrônico de dança, ele é capaz de passar horas a fio imitando o movimento de personagens virtuais. A paixão de Diegho San — como ele passou a ser conhecido — pelo JustDance surgiu no fim de 2009, quando ganhou de duas amigas o jogo de videogame que acabara de ser lançado. Hoje já são 55 milhões de aficionados pelo mundo, mas Diegho se destaca. Foi bicampeão mundial de Just Dance, em 2014 e 2015, em copa disputada em Paris, na França.

— Quando ganhei o jogo, empurrei os móveis da sala, e passei a madrugada inteira jogando com amigos. Dancei tanto que precisei tomar remédio para dor no corpo — relembra Diegho.

Hoje, Diegho é profissional de jogo eletrônico, se apresenta e estrutura eventos de videogame em shoppings e feiras pelo Brasil afora. Também deve participar da organização de uma etapa do campeonato brasileiro de Just Dance, durante o Game XP 2018, que ocorrerá de 6 a 9 de setembro no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. A disputa vale uma vaga para o mundial do jogo de 2019 que, dessa vez, acontecerá no Brasil.

— Virou o meu trabalho — diz ele. — Dá para ganhar um bom dinheiro. O problema de viajar é que a gente quer conhecer os lugares, comprar muitas coisas, sair. E aí acaba gastando.

Antes de embarcar com garra no jogo de dança, o jovem nunca tinha feito uma viagem tão longa. Para o exterior, então, a estreia foi o voo para Paris, após vencer o campeonato brasileiro, para disputar a primeira copa.

— Fiquei com medo, porque não sabia falar inglês nem francês. E eu tinha de ir sozinho. Mas conheci muita gente, e fiz amigos.

Diegho viajou com passagens e hospedagens pagas pela Ubisoft, empresa que produz o jogo de dança e promove a copa. Mas não tinha um guia, alguém que o ajudasse com o idioma. E teve de dar seu jeito.

— Ficava com o celular o tempo todo, usando o tradutor — conta.

Ele precisou ainda controlar a timidez e o nervosismo, diante dos jurados e de uma plateia de duas mil pessoas:

— No primeiro torneio mundial, tive que tomar calmante e remédio para dor de barriga.

A paixão pelo jogo é tanta que até a casa em que Diegho mora passou por uma reforma “temática”.

— Primeiro tinha pintado a sala com um cenário do Just Dance 2016. Agora, fiz uma parede de gesso 3D, coloquei espelho e iluminação azul no teto — diz o jovem, que já pensa na “aposentadoria”.

A intenção dele, que concluiu o ensino médio, é, no ano que vem, cursar faculdade de design de interiores.

— A idade já está chegando — brinca.

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