A fibromialgia é uma síndrome que afeta entre 2,5% e 5% da população brasileira. Neste mês, o Governo Federal anunciou novas diretrizes com o objetivo de aumentar a visibilidade da doença e expandir as opções de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em entrevista ao programa Tarde Nacional – Amazônia, na terça-feira (24), o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, explicou que a fibromialgia é caracterizada por dores constantes em todo o corpo, sem relação com lesões ou inflamações. A legislação, que entrará em vigor em 2026, reconhece a fibromialgia como uma deficiência em todo o país.
“É a dor generalizada. Muitas vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, alterações no sono e distúrbios cognitivos. Esse conjunto de sintomas é o que chamamos de fibromialgia”, afirmou Martinez. De acordo com estudos publicados na revista Rheumatology e pelo National Institutes of Health (NIH), mais de 80% dos casos ocorrem em mulheres, especialmente na faixa etária de 30 a 50 anos. Embora a origem da doença ainda não seja totalmente compreendida, fatores hormonais e genéticos estão entre as hipóteses investigadas.
Martinez destacou que a fibromialgia não é uma doença inflamatória, mas resulta de uma disfunção dos neurônios responsáveis pela dor, que se tornam excessivamente sensibilizados. Os sintomas mais frequentes incluem dor constante, fadiga, formigamento nas extremidades, distúrbios do sono, sensibilidade a estímulos ambientais, alterações de humor e dificuldades de memória e concentração.
A identificação dos sintomas é um desafio, complicando o diagnóstico. “O diagnóstico é puramente clínico: o paciente relata ao médico o que sente, e este reconhece os sintomas típicos. É essencial realizar um bom exame físico, pois o paciente com fibromialgia pode ter outras condições que agravam a dor”, explicou. Ele ressaltou a importância de distinguir a fibromialgia de outras doenças que podem causar dor articular, como a artrose. Não há exames específicos para a condição; por isso, recomenda-se que o paciente consulte um reumatologista ou busque atendimento em uma Unidade Básica de Saúde.
Em janeiro, a Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu a fibromialgia como deficiência, permitindo que os portadores acessem benefícios legais, como cotas em concursos públicos, isenção de impostos na compra de veículos adaptados, aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, além do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda e pensão por morte, quando a incapacidade for comprovada.
Além disso, o Ministério da Saúde implementou um planejamento para o tratamento da fibromialgia pelo SUS, com a finalidade de ampliar o acesso a cuidados qualificados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A cartilha prevê a capacitação de profissionais e um tratamento multidisciplinar, incluindo fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional. A prática regular de atividades físicas também é recomendada como um importante aliado na melhora da qualidade de vida.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia enfatiza que tratamentos não farmacológicos são tão essenciais quanto os medicamentos para auxiliar os pacientes. “Alguns pacientes podem desenvolver ansiedade e depressão. Por isso, o reumatologista pode precisar do apoio de outros profissionais, como psiquiatras e psicólogos, que trabalhem em conjunto, garantindo que não haja interação negativa entre os medicamentos”, concluiu Martinez.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.
Extraído de Agência Brasil

