Quando juízes se quedam à tentativa clara e abusiva do Ministério Público ou da Polícia em gerar comoção ao potencializar escândalos em período eleitoral, também afrontam a democracia e abusam de um poder que exige moderação.
O combate à corrupção é salutar e contribui para o aperfeiçoamento da política, das relações privadas com o poder público e é saudável em uma democracia. Mas ações cautelares de busca, apreensão e confisco de bens autorizadas pela justiça em pleno processo eleitoral não deixam de revelar seu viés político, com a participação de atores que, por dever de ofício, deveriam ficar à margem do processo eleitoral.
Caso de Alagoas, por exemplo, onde o governador Paulo Dantas, candidato à reeleição, foi afastado do cargo depois de operação da Polícia Federal esta semana.
Mesmo quando os candidatos não são alvos, diretamente, indiretamente um dos lados acaba prejudicado, quando o objeto da ação é a periferia em torno dele.
Quando juízes se quedam à tentativa clara e abusiva do Ministério Público ou da Polícia em gerar comoção ao potencializar escândalos em período eleitoral, também afrontam a democracia e abusam de um poder que exige moderação.
Essa noite Manaus entrou em transe com informações desencontradas sobre eventual operação da Polícia Federal nesta-sexta-feira. É natural que os diversos atores políticos fiquem preocupados.
O impacto de uma operação, especialmente dos federais durante a campanha eleitoral é muito grande. Praticamente entrega o mandato a um dos lados - ou configura um cenário novo, onde o poder de polícia interfere no jogo em clara afronta à democracia e o que ela representa.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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