Foi um debate difícil, longo e cansativo para os telespectadores o realizado nesta terça-feira pela TV Amazonas. E chato, muito chato, com três candidatos ao governo trocando acusações sobre corrupção sem o menor constrangimento. Invés de água mineral no púlpito, a tv poderia ter disponibilizado óleo de peroba. O Amazonas sabe “o que eles fizeram no verão passado”.
A ausência de Amazonino foi uma surpresa. O mediador do “debate” disse que nenhuma justificativa foi apresentada, o que provocou especulações sobre a sua saúde.
Mas dos cinco candidatos que compareceram, apenas Carol Braz e Israel Tuyuka não fizeram dobradinha com ninguém. E surpreenderam, pelas propostas, pelo conhecimento da estrutura do Estado, especialmente na área social e de segurança pública. Carol apresentou um programa de governo e foi crítica das ações dos demais candidatos que já exerceram funções executivas. Foi coerente e propositiva. Israel Tuyuka pareceu ingênuo, com uma visão limitada da economia e de seus mecanismos, mas preocupado com o meio ambiente e a educação. Vendeu sonhos.
O problema é que a audiência do debate sem dúvida foi reduzindo e provavelmente os compradores de ilusões desapareciam à medida que os minutos passavam. Mas se dependesse desse debate para vencer a eleição, não haveria melhores candidatos do que Carol e Israel Tuyuka.
Eduardo Braga mirou, como se esperava, o governador Wilson Lima. O problema de Eduardo é parecer deslocado e distante. Falta ao senador recuperar a “liga” perdida com a população do Amazonas.
Ricardo Nicolau precisa entender que um debate é um confronto de ideias, não uma guerra. Ou a política não seria o que é. Seu alvo foi o governador. Seu erro foi levar para o debate questões pessoais contra Wilson Lima, tão pessoais que o mediador concedeu direito de resposta ao governador.
Surpreendentemente, Wilson Lima manteve a calma. Não foi seu melhor dia, acossado por Nicolau e Braga. Mas não se limitou a se defender. Atacou, devolveu os golpes e mostrou que se não era igual ou parecido, tentava não ser o mais do mesmo.
Henrique não foi bem. Precisa melhorar o foco nas propostas de governo. Tentou uma dobradinha com Wilson, mas não colou.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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