Ordem, soberania e segurança são palavras muito usadas nos discursos oficiais. Soam bonitas e passam a impressão de proteção para todos. Mas, na prática, quase nunca vêm sozinhas. Geralmente aparecem antes de decisões que atendem a interesses — econômicos, financeiros ou estratégicos. Quando essas palavras são usadas, quase nunca é pensando em quem mora no lugar afetado.
Isso também acontece no discurso ambiental.
O povo da Amazônia brasileira vive cercado de proibições, sem estrada, sem infraestrutura e com poucas opções de trabalho, enquanto as decisões são tomadas longe daqui.
O Estado aparece rápido para proibir, multar e embargar. Mas desaparece quando o assunto é planejar, investir ou criar alternativas de desenvolvimento que respeitem a floresta e, ao mesmo tempo, garantam dignidade para quem mora nela. Assim, a preservação deixa de ser solução e vira apenas discurso bonito — bom para quem está longe, pesado para quem vive aqui todos os dias.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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