O deputado Amom Mandel explicou como "negociou" o apoio a Alberto Neto. Desprovido de ambições, alheio a ressentimentos e com um coração de menino travesso, mas inocente, ingênuo e puro, entregou seu prestígio eleitoral em troca de propostas. Somente isso... Não entrou grana nesse "acordo", não entrou cargos. Somente boa fé...
Você pode discordar e suspeitar da inocência de Amom e imaginar o que pode ter sido ocultado - e com razão. Afinal, os santos já morreram...
Afirmar que foi um negócio, com base no pressuposto de que parte de seu programa de governo será adotado, em caso de vitória, pelo capitão, é uma explicação que pode convencer uns e deixar em dúvida uma grande maioria de eleitores que apostou nele no primeiro turno.
É direito de cada eleitor avaliar seriamente o que o parlamentar disse, apoiando ou questionando seu comportamento.
Todavia, ninguém pode negar que Amom foi corajoso. Falou com seus eleitores olhando nos olhos, quase sem piscar. Lembrou muito os velhos caciques da política amazonense, como Gilberto Mestrinho e Amazonino Mendes, que falavam e faziam o povo chorar de emoção. E as ovelhas (ou o gado) seguiam com eles...
" Se você ainda gosta de mim, se você não gosta, que tome sua decisão".
Amom - o jovem que prometia recuperar a ética na política, segundo ele, perdida pela corrupção, de repente apoia um candidato da direita preocupado com costumes, com religião e com um padrinho sabidamente reacionário, com vícios que o parlamentar diz renegar e cujo governo foi uma tragédia para o país.
Aqui reside uma equação cujo valor ainda é uma incógnita que não foi fechada. Cabe aos eleitores decepcionados com o ex-candidato que se assumiu como cabo eleitoral de Alberto Neto encontrar a solução real, verdadeira.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso