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Ato golpista ou baderna e incitação à violência?

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Por Coluna do Holanda
20/06/2023 às 00h25 — em Coluna do Holanda
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A palavra golpe ainda está na boca de muita gente. Há uma CPMI em andamento  e inquéritos no Supremo Tribunal Federal sobre “atos golpistas”, com centenas de pessoas apontadas como autoras ou coautoras. Mas, que golpe?

Se  houve uma tentativa de golpe em 8 de janeiro, ela pecou pela falta de planejamento. Houve balbúrdia, depredação, terrorismo, mas falar em golpe é um exagero. Mesmo a tal minuta do suposto “ato  golpista”, encontrada com o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, revela uma intenção - sem apoio, sem logística. 

Nada do que ocorreu em 8 de janeiro ameaçou a integridade do presidente Lula, dos ministros do Supremo ou dos parlamentares das duas casas do Congresso Nacional. 

Que houve incitação a baderna, houve. E a lei deve punir os envolvidos. Mas golpe, não.

Depredar o Palácio do Planalto (vazio), a sede do STF (vazia) e o Congresso Nacional (vazio) em um domingo não pareceu ter propósito de substituir ministros da Corte, nem derrubar um governo legitimamente eleito. Foi, sim, um comportamento abominável de violência cujos autores devem responder por seus atos.

Não  houve ruptura institucional, nem tentativa de posse dos Três Poderes. Houve baderna. A reação do governo e do Supremo veio depois, quando ficou constatado que se tratava de um badernaço, não uma tentativa de golpe - ou teria havido minimamente uma ação paralela ao badernaço para prender o presidente e os ministros do Supremo. Não houve. Se havia intenção, ficou na intenção. 

Tratar a questão do badernaço de Brasilia como tentativa de golpe é não saber conceituar o objetivo de um golpe de Estado, as estratégias que vão além do movimento das ruas. É  preciso isolar o sistema judicial, emparedar o presidente, fechar o Congresso Nacional, prender ou cassar os parlamentares. Não houve nada disso. 

Pena que a imprensa profissional tenha engolido a ideia do golpe - que não houve. Tanto que os manifestantes se desmobilizaram ao final daquele fatídico domingo, abrindo espaço para uma reação do Governo e do Supremo Tribunal Federal. 

Golpe não dá tempo para,  em horas, sem apoio de armas,  estabelecer um mínimo de ordem. 

E quem tomou a frente do processo para restabelecer a ordem não foi a polícia, nem o Exército. Foi um ministro do Supremo Tribunal Federal, cuja arma que utilizou foi a Constituição. Onde o golpe? Onde a tentativa de golpe?  

Ah, mas depredaram a sede do SFT, o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Mas como o próprio ministro Alexandre de Moraes disse, “o STF foi danificado por terroristas. Mas as Instituições não são feitas só de tijolos, são feitas de pessoas, coragem e determinação."

Terroristas? Não foi ato falho do ministro.Terroristas sim e devem ser punidos por seus atos. 

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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