Muita gente errou no caso do menino Benício Xavier. E, por mais cruel que pareça essa afirmação, o excesso de zelo dos pais com uma tosse seca da criança - que poderia ser tratada em casa - foi fatal. Um pronto-socorro concentra profissionais submetidos a longos e cansativos plantões, com metas a ser atingidas, trabalhando muitas vezes em condições precárias. As salas de espera, por mais higienizadas que sejam, não deixam de ser viveiros de vírus e bactérias.
Levar uma criança ou mesmo um adulto a um pronto-socorro, somente em casos extremos. Aliás, essa é a função dessas unidades de saúde. Mas a população não é informada ou minimamente educada para usar esse tipo de serviço, o que resulta em excesso de demanda por atendimento, falta de leitos e, em casos extremos, erros e mortes.
Mortes de crianças em ambiente hospitalar impõem reflexão sobre protocolos, treinamento, estrutura e vigilância, tanto na rede pública quanto na privada. Mas nada disso exime as famílias da responsabilidade de avaliar riscos e quando é necessário levar os filhos a uma unidade de saúde.
A confiança pública na medicina depende não apenas da correção dos procedimentos após uma tragédia, mas da capacidade de preveni-la. A prevenção, entretanto, passa por informação - que as famílias não têm.
Hospital não é sinônimo de cura e médicos não são deuses. Erram muitas vezes, acertam tantas outras. Mas erram quando mais tentam acertar...
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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