A justiça do Amazonas indeferiu um pedido de explicações feito pelo traficante Gelson Carnaúba ao então secretário de gestão penitenciária e atual comandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel Marcus Vinicius Oliveira. Carnaúba não gostou de informações passadas por Vinícius à Vara de Execuções Penais, de que é líder de uma organização criminosa, e que, mesmo recolhido a uma penitenciária federal de segurança máxima, continuava influenciando a população carcerária do Amazonas.
Ofendido, Carnaúba alegou ser vítima de “ informações caluniosas e difamatórias”. A própria defesa do traficante concentra empáfia, cinismo e sua provocação à justiça um escárnio.
O sistema de inteligência identificou que comandos eram dados por Carnaúba a remanescentes da organização criminosa que ele fundou. O monitoramento do acusado e de pessoas que o visitavam foi importante para evitar novas rebeliões e impedir massacres como o que o próprio Carnaúba protagonizou em 2002, com doze mortos, alguns decapitados.
Carnaúba, que foi condenado recentemente a 48 anos de prisão, ainda é figura ativa nas ações do crime organizado no Amazonas. A prisão o isola fisicamente, mas suas ações transcendem a uma cela em penitenciária de segurança máxima. Na prática, não cessaram. O presídio o priva de certa liberdade, mas também o preserva, na medida em que fica imune a ação de líderes rivais.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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