O debate desta quinta-feira da TV Norte mostrou a importância da palavra e o impacto que ela provoca. Dependendo do tom utilizado, é um bálsamo e um estímulo à paz. Ou uma agressão. A forma como Eduardo Braga se dirigiu à jornalista Márcia Dantas, que mediava o debate entre os candidatos ao governo do Amazonas, expôs, outra vez, seu temperamento.
O tom utilizado pelo senador para se contrapor a uma indicação da jornalista para quem ele faria uma pergunta, foi agressivo, com repercussões nas redes sociais. O impacto eleitoral será medido nas próximas horas.
É injusto tachar o senador de “misógino”, como muitos o fizeram utilizando as redes sociais. Mas este incidente não é um fato isolado envolvendo o senador e as mulheres. Caso, por exemplo, da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, que acusou Braga em 2021 de tê-la xingado com palavrões.
Quem conhece Braga sabe o quanto é preparado: fala inglês fluentemente, foi duas vezes governador e está no segundo mandato de senador. Mas seu grande inimigo é ele mesmo.
Incrível que Braga tropece em suas próprias pernas na reta final de uma campanha onde ele crescia e ameaçava o segundo colocado, o ex-governador Amazonino Mendes.
Um arranjo de última hora, nos bastidores, fez a jornalista minimizar o episódio, o que deu a Braga a chance de dizer que gosta e respeita as mulheres. E é verdade. Sua falta de compostura - dizem alguns ex-assessores - é com todos os que o cercam.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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