A vantagem que os estudantes de escolas públicas do Amazonas tem para ingresso em cursos da UEA - 80% das vagas são destinadas a eles - vai acabar se o Supremo Tribunal Federal acatar a ADIN - Ação Direta de Inconstitucionalidade - proposta pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, para quem essa garantia prevista em Lei Estadual é uma discriminação a estudantes das demais unidades da federação.
Janot mete o dedo numa questão que tem relevância social importante para o Estado do Amazonas. Afinal, trata-se de uma universidade mantida pelos amazonenses, com a contribuição da indústria sediada em Manaus e ações do governo estadual. Portanto, para os amazonenses.
Janot alega que os critérios adotados pela UEA criam "distinções entre brasileiros ou preferências entre si, o que implica violação ao princípio da igualdade."
Esse argumento, embora legal, se desfaz diante das desigualdades regionais, do isolamento do Estado do Amazonas, da qualidade do ensino médio, em nivel inferior ao praticado em estados mais desenvolvidos.
Abrir a porteira para estudantes oriundos de outros Estados é fechar essa mesma porteira para os amazonenses.
O governo do Estado (e com ele a bancada do Amazonas no Congresso Nacional) precisa acompanhar essa ADIN na defesa dos interesses dos amazonenses. É o mínimo que se espera.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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