É louvável a preocupação do presidente Lula com os problemas econômicos dos países vizinhos e com os quais o Brasil mantém relações de amizade. Mas é cedo para assumir compromissos com o financiamento de obras bilionárias, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Primeiro, Lula não aprendeu com os erros do passado, os calotes dos “governos amigos” e a onda de corrupção envolvendo empreiteiras também "amigas" que tocaram obras com recursos do banco na América Latina e na África.
Segundo, Lula parece ignorar que o dinheiro do BNDES pertence aos brasileiros. É o suor do trabalhador e dos empresários brasileiros, expropriados pelo governo, pois proveniente da arrecadação do PIS e do PASEP, da somatória de contas em atraso e de tributos pagos pelos contribuintes.
Para justificar a iniciativa pessoal de emprestar dinheiro a outros países, o presidente alegou que “ o Brasil não pode se apequenar. Vai voltar a financiar projetos de engenharia para ajudar empresas brasileiras no exterior ”.
Mas que empresas com know-how para atuar fora do País em área tão complexa, se não aquelas envolvidas no maior escândalo de corrupção nos dois primeiros governos de Lula ? Empresas cujos gestores confessaram existir um esquema de propina envolvendo o PT e até assinaram acordos com o Ministério Público para devolver os recursos roubados dos brasileiros?
Essa é a hora de Lula repensar de que lado está - do Brasil sofrido, mutilado e que precisa ser literalmente reconstruído, ou de si mesmo, do seu desejo pessoal de se tornar um líder latino-americano, mundialmente reconhecido.Vaidade e ambições pessoais à parte. O Brasil precisa de Lula governando para os brasileiros.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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